Guedes apenas tranquilizou a elite: os pobres também deixaram de viajar
Os funcionários públicos mais graduados já não podem mais ir à Disney com esse dólar tão alto, mas não se importam, desde que as empregadas domésticas também não forem.
Depois de insultar os funcionários públicos, chamando-os de parasitas, o Guedes resolveu afagar o ego dos barnabés mais bem remunerados. O ministro sabe que essa parcela da pequena-burguesia fica feliz com a distinção: está melhor que os pobres? Então está bom.
Boa parte da classe média tradicional é composta de gente que se incomodava com a presença de pobres em seus espaços de convivência (shoppings. aeroportos, academias de ginástica) e não tolerava que empregadas e seus filhos pudessem ser com eles confundidos. Alguns até uniformizavam as domésticas para bem demarcar as diferenças entre as classes sociais.
Na tentativa de se redimir junto àqueles a quem chamou de parasitas o Ministro, fazendo média, saiu-se com a aberrante afirmação de que com o dólar baixo até empregadas domésticas iam para a Disney.
Pronto, fez as pazes. Os funcionários públicos mais graduados já não podem mais ir à Disney com esse dólar tão alto, mas não se importam, desde que as empregadas domésticas também não forem.
O ministro fala a língua deles. E estes (excetuados os professores) já o perdoaram pela injusta generalização de chamá-los de parasitas. O ministro é bom, de fato existem alguns parasitas, e o Estado está muito inchado mesmo, repetem uns aos outros e às respectivas empregadas domésticas.
*Este es un artículo de opinión, responsabilidad del autor, y no refleja la opinión de Brasil 247.

