O agosto de Bolsonaro
"No dia 25 de agosto de 1961 o presidente Jânio Quadros renunciou, dando início a uma crise que culminou no golpe militar de 1º. de abril de 1964 e confirmando a má fama do oitavo mês do ano", afirma Alex Solnik, do Jornalistas pela Democracia. "No dia 23 de agosto de 2019, o presidente Jair Bolsonaro vive o seu pior momento desde que assumiu", compara. "Em 2019, loucos continuam não rasgando dinheiro. Agora queimam"
Por Alex Solnik, de Periodistas por la democracia
No dia 24 de agosto de 1954 o presidente Getúlio Vargas deu um tiro no coração, sob pressão da cúpula do Exército.
Agosto, que já era o mês do desgosto, passou a ser o mês das tragédias da política brasileira.
No dia 25 de agosto de 1961 o presidente Jânio Quadros renunciou, dando início a uma crise que culminou no golpe militar de 1º. de abril de 1964 e confirmando a má fama do oitavo mês do ano.
No dia 23 de agosto de 2019, o presidente Jair Bolsonaro vive o seu pior momento desde que assumiu.
Enfrenta resistência na Polícia Federal e na Receita Federal, que tenta controlar com o objetivo de proteger seu filho e senador Flávio Bolsonaro.
Senadores resistem a aprovar seu filho e deputado federal Eduardo Bolsonaro como embaixador em Washington.
É criticado duramente pela imprensa por aceitar que seu filho Flávio indique o próximo chefe da PGR.
A Alemanha congelou R$150 milhões e a Noruega, R$130 milhões do Fundo Amazônia em resposta a seus discursos malcriados e ofensivos.
Está sob ataque da União Europeia – França, Alemanha, Reino Unido, Noruega e Finlândia –que o responsabiliza pelas queimadas na Amazônia e ameaça com retaliações comerciais.
Levou puxão de orelha do secretário geral da ONU, o português Antônio Guterres, pelo mesmo motivo.
O G 7 se reúne este fim de semana para debater medidas de proteção da floresta e sanções ao governo brasileiro.
A turma do agronegócio, que o elegeu, está apavorada ante a possibilidade de perder exportações para a Europa, responsável por 17,7% dos negócios.
Quando eu era jovem circulava uma boutade:
- O cara é louco, dizia alguém.
- É louco, mas não rasga dinheiro, retrucava o outro.
Em 2019, loucos continuam não rasgando dinheiro.
Agora queimam.
(Conoce y apoya el proyecto) Periodistas por la democracia)
*Este es un artículo de opinión, responsabilidad del autor, y no refleja la opinión de Brasil 247.

