Brasil y la guerra en Ucrania
"Não cabe ao Brasil tomar partido nesse complicado conflito. E não é o que tem feito Brasília", comenta o economista Paulo Nogueira Batista Jr
Por Paulo Nogueira Batista Jr
¿Cuál debe ser la posición brasileña frente a la guerra en Ucrania? En su mayor parte, los medios corporativos brasileños, siguiendo caninamente a los medios occidentales, ya han elegido un bando. Ha venido demostrando una abierta parcialidad, comprometiendo su obligación de informar.
É um grave equívoco. Não cabe ao Brasil tomar partido nesse complicado conflito. E não é o que tem feito Brasília. Mesmo os adversários mais renhidos de Bolsonaro, entre os quais me incluo, precisam reconhecer que é correta a posição inicial do governo brasileiro, em especial do Itamaraty. Bolsonaro, como sempre, dá suas derrapadas. Resiste, porém, à pressão dos EUA e da mídia tradicional brasileira para que se alinhe ao lado ocidental. Por enquanto. Como tudo é muito volátil, preciso dizer que estou escrevendo em 4 de março.
Para entender lo que está en juego, es fundamental darse cuenta de que lo que estamos viendo no es principalmente una guerra entre Rusia y Ucrania, sino una guerra entre Rusia y los países de la Organización del Tratado del Atlántico Norte (OTAN), una alianza militar. liderado por Estados Unidos. Ucrania, pobrecita, subió a bordo del barco. Es luchar por poder. Fue llevado por líderes nacionales frívolos e incompetentes a un enfrentamiento con la segunda potencia militar más grande del planeta.
O Brasil não pode, evidentemente, apoiar a invasão de um país por outro. Precisamos nos ater à nossa posição tradicional de defender a busca de solução diplomática e pacífica para as desavenças entre países.
Mas precisamos, também, entender o lado da Rússia. Como este tem recebido pouca atenção na mídia brasileira, vou tentar explicá-lo brevemente, sem a pretensão de cobrir todos os aspectos de uma questão que é, insisto, de extraordinária complexidade.
Toda la confusión comienza con la expansión de la OTAN a Europa del Este desde la década de 1990, como se ha reconocido cada vez más en Brasil. Por etapas, aprovechando la debilidad de Rusia en ese momento, la alianza militar occidental fue incorporando países que antes pertenecían al bloque soviético (Polonia, República Checa, Eslovaquia, Hungría, Rumania y Bulgaria) e incluso países que resultaron de la disolución de la Unión Soviética. Unión (Lituania, Letonia y Estonia). Mira el mapa de Europa y ponte en la piel de los rusos.
La crisis se intensificó en 2014, cuando el gobierno ucraniano de Viktor Yanukovych, cercano a Moscú, fue derrocado por un golpe de Estado, una de esas revoluciones de colores, similar a la que se produciría en Brasil y desembocaría en el derrocamiento de Dilma. Rousseff. Mucho más violento, pero similar. No se equivoque, lector, sobre el siguiente punto: hubo una participación activa de los EE.UU. (gobierno de Obama) en el derrocamiento de Yanukovich.
La pretensión estadounidense de incorporar a Ucrania a la OTAN fue el paso fatal. Perseguida por Kiev después del golpe de 2014, Moscú no podía aceptar esta afirmación sin poner en peligro la seguridad nacional de Rusia. Vuelva a mirar el mapa y vea la distancia que separa la frontera ucraniana de la capital rusa. Como si Estonia no fuera suficiente que está prácticamente a la vuelta de la esquina de San Petersburgo, ¡la segunda ciudad más grande de Rusia!
Mesmo assim, volto a dizer, o recurso da Rússia à violência e à invasão da Ucrânia é deplorável. Não pode ser contestado pelo Brasil. Temos que ser solidários ao povo da Ucrânia, que passa por uma experiência terrível.
Pode-se perguntar: o fato de o Brasil não poder apoiar a Rússia e condenar a invasão prejudica os BRICS? Alguns apressados, já decretaram o fim do agrupamento. Isso não tem o menor cabimento. Posso dar o testemunho de alguém que participou do processo de formação dos BRICS desde o início, em 2008: os BRICS nunca foram, nem pretenderam ser, uma aliança política – ponto que explico detidamente no meu livro O Brasil não cabe no quintal de ninguém, especialmente na segunda edição. Os BRICS são um clube ou mecanismo de cooperação com propósitos muito importantes, mas limitados. O grupo avançou mais do que outros grupos semelhantes, tendo chegado a criar o seu próprio banco de desenvolvimento e o seu próprio fundo monetário. Mas é um mecanismo circunscrito primordialmente à área econômico-financeira. A Rússia sabe perfeitamente disso e não espera uma adesão do Brasil a suas posições políticas.
A posição inicial do governo Bolsonaro após a eclosão da guerra tem sido basicamente correta, como disse, mas não se deve esquecer que este governo deu um tremendo passo em falso num tema correlato, passo em falso que não tem sido muito lembrado agora. Refiro-me ao fato de que, em 2019, quando Donald Trump ainda era presidente dos EUA, Bolsonaro celebrou a designação do Brasil como “aliado extra-Otan”. Isso não fazia sentido nenhum na época, e faz menos ainda hoje em face da confrontação Rússia/OTAN.
O Brasil deve ser um país não-alinhado. O que isso significa? Várias coisas. Precisamos, por exemplo, voltar a ser participante ativo dos BRICS, algo que se perdeu nos governos Temer e Bolsonaro. Temos que retomar e fortalecer as nossas relações com a América Latina e África, sem parti-pris ideológico, isto é, sem se preocupar se os governos dos outros países são de esquerda, direita ou centro. No entanto, essa abertura para o chamado Sul político não implica relações hostis com os Estados Unidos, a Europa ou o Japão. Ao contrário, o Brasil deve buscar relações, não digo de amizade, uma vez que, como dizia Charles de Gaulle, as nações têm interesses e não amigos, mas relações positivas e construtivas com todas as nações.
Por supuesto, poco o nada de eso será posible en el gobierno de Bolsonaro, a pesar de los esfuerzos del Itamaraty, que mejoró su desempeño tras el reemplazo de Ernesto Araújo por Carlos Alberto França. Sin embargo, bajo un nuevo mando a partir de enero de 2023, Brasil podrá hacer todo eso y mucho más. Incluso podría jugar, si las partes están interesadas, un papel en la pacificación del conflicto en Europa del Este, un conflicto que, lamentablemente, no se resolverá en el corto plazo.
***
Una versión resumida de este artículo fue publicada en la revista “Carta Capital” el 4 de marzo de 2022.
*Este es un artículo de opinión, responsabilidad del autor, y no refleja la opinión de Brasil 247.

