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José Luis Fiori

Profesor del Programa de Posgrado en Economía Política Internacional de la Universidad Federal de Río de Janeiro (UFRJ). Autor de, entre otros libros, Sobre a Guerra (Vozes, 2018)

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El fracaso de los militares.

"Não se pode governar um país quando se trata como inimigos todos os que divergem de suas opiniões", escrevem José Luís Fiori e William Nozaki

O fracasso dos militares (Foto: ABr | Marcos Corrêa/PR | Isac Nóbrega/PR)

Por José Luís Fiori y William Nozaki 

Existe uma psicologia bem compreendida da incompetência militar […]. Norman Dixon argumenta que a vida militar, com todo o seu tédio, repele os talentosos, deixando as mediocridades, sem inteligência e iniciativa, subirem na hierarquia. No momento em que alcançam cargos importantes de tomada de decisão, essas pessoas tendem a sofrer alguma decadência intelectual. Um mau comandante, argumenta Dixon, nunca quer ou é incapaz de mudar de rumoquando toma a decisão errada.
Ferguson, N. Catástrofe. Editora Planeta, São Paulo, 2022, p. 184

Qualquer pessoa de bom-senso – dentro e fora do Brasil – se pergunta hoje como foi que um segmento importante dos militares brasileiros chegou ao ponto de conceber e levar adiante um governo militarizado e aliado a grupos e pessoas movidas por um reacionarismo religioso extremado, e por um fanatismo econômico e ideológico completamente ultrapassados, todos “escondidos” atrás de um personagem grotesco e um “mau militar”, como afirmou o Gal. Ernesto Geisel em outro momento? O historiador britânico Niall Ferguson defende a tese da incompetência universal dos militares para o exercício do governo democrático, e aponta algumas razões que explicariam tal incapacidade a partir da própria vida interna dos quartéis e da carreira militar. No caso específico da geração atual de militares brasileiros, há um contingente que vem se dedicando, há três anos, a desmontar aquilo que seus antecessores do século passado mais prezavam: o setor energético brasileiro.

Los militares brasileños siempre han tenido una visión elitista y caricaturesca del país, imaginando un país sin ciudadanos y donde las clases sociales del sistema capitalista son vistas con desconfianza y como una amenaza al orden social definido por ellas según criterios anclados, en última instancia , en el su vasallaje internacional. Dentro de esa concepción de un país sin sociedad civil, siempre se consideraron verdaderamente responsables de la moral pública y de definir cuál era el “interés nacional” de los brasileños.

Num determinado momento da história brasileira, os militares entenderam que era importante para o interesse nacional que o país tivesse projetos industrializantes nos setores de metalurgia e siderurgia, ferroviário e rodoviário, petrolífero e petroquímico. No entanto, no momento seguinte, eles mesmos redefinem seu próprio conceito de “interesse nacional” brasileiro, invertem a estratégia econômica dos seus antecessores e promovem a privatização selvagem das empresas públicas, ao mesmo tempo que apoiam a desindustrialização da economia brasileira e seu retrocesso à condição primário- exportadora do início do século passado.

Como se sabe, las Fuerzas Armadas de Brasil jugaron un papel activo en la construcción de Petrobras, Eletrobras, Gasoduto Brasil-Bolivia, Itaipú Binacional y un sinnúmero de otras empresas estatales en sectores estratégicos para el desarrollo de la economía nacional. Pero hoy, como ya hemos dicho, se dedican a desmantelar esas mismas empresas y sectores económicos, sin ningún tipo de justificación estratégica a más largo plazo, especialmente en el caso del sector energético, que es parte esencial de la “seguridad nacional”. ” de cualquier país del mundo.

Veja-se o caso do Ministério de Minas e Energia (MME), por exemplo, que é um dos mais militarizados do governo Bolsonaro: além do Ministro-Almirante, o gabinete ministerial conta com a presença de mais vinte militares, da ativa ou da reserva, ocupando cargos de chefia, coordenação e assessoria. E esta situação se repete no Sistema Eletrobras, onde militares têm postos destacados em unidades como Eletrosul, Eletronorte, Eletronuclear, CHESF e Itaipu Binacional. E o mesmo se deve dizer do Sistema Petrobras, que é dirigido por militares com presença na presidência e no conselho de administração da empresa, desde onde lideram a desmontagem da própria empresa. A petrolífera brasileira vendeu a BR Distribuidora com seus postos de combustíveis, colocou à venda suas refinarias e passou a refinar menos diesel, gasolina e gás. O mercado foi aberto para a importação desses derivados, e os importadores passaram a pressionar para que o preço no Brasil fosse equivalente ao preço no mercado internacional. Assim se adotou a chamada “política de preço de paridade de importação”, que trouxe enormes lucros e ganhos para os acionistas da Petrobras, mas vem prejudicando diretamente os cidadãos brasileiros, com o aumento contínuo dos preços dos combustíveis e a aceleração em cadeia das taxas de inflação da economia.

Asimismo, en el caso de la energía eléctrica, la suba de precios está relacionada principalmente con cambios en el régimen hidrológico, pero en el caso brasileño actual está directamente ligada a la mala gestión del sector controlado por los militares, pero carente de seguimiento, planificación , coordinación y mejoras en el Sistema Eletrobras, cuyas inversiones sufrieron una importante reducción en los últimos años.

Não há precedente, na experiência internacional, de um Estado que esteja se desfazendo de sua principal empresa de energia elétrica em meio a uma crise hidroenergética e num cenário de elevação na tarifa de luz. Mas é isto que os militares brasileiros estão fazendo ou deixando que façam. Praticando uma espécie de negacionismo energético que contraria toda sorte de fatos e dados, o Almirante Ministro das Minas e Energia afirmou que “a crise de energia, a meu ver, nunca ocorreu” (entrevista à Folha, em 01/01/2022); manifestando total despreocupação com a soberania nacional, o oficial que preside o conselho de administração da Eletrobras reiterou que “o futuro da empresa é a privatização” (declaração à imprensa em 07/01/2021); e revelando integral descaso com a noção de cidadania, o General Presidente da Petrobras endossa que “a Petrobras não pode fazer política pública” (artigo ao Estadão em 08/01/2022).

Esto está pasando en el sector energético, pero la misma incompetencia o mal manejo también se encuentra en otras áreas de gobierno lideradas por sus militares, ya sean viejos generales en pijama o jóvenes oficiales que rápidamente se especializaron en comprar y revender vacunas en el área de la salud por ejemplo. , donde la incompetencia militar tuvo efectos más dramáticos y perversos y llegó a la ciudadanía brasileña de manera extremadamente dolorosa.

Y lo mismo está ocurriendo fuera del ámbito económico, como en el caso de la verdaderamente caótica administración militar de la ciencia y la tecnología y el tema ambiental amazónico, por no hablar de la bizarra situación de una Oficina de Seguridad Institucional de la Presidencia de la República que fue incapaz de monitorear, y ni siquiera explicar -hasta hoy- el cargamento de unos 40 kilos de cocaína hallados dentro de un avión de la delegación presidencial, en un viaje internacional del propio mandatario.

La actuación de los militares brasileños y la volatilidad de sus concepciones de desarrollo nos remiten a la tesis del historiador británico Niall Ferguson. Él atribuye la “incompetencia universal” de los militares a las reglas muy funcionales de las carreras de los soldados, y puede que tenga razón. Pero nuestra hipótesis extraída de la experiencia brasileña parte de otro punto y va en una dirección ligeramente diferente.

Do nosso ponto de vista, a incompetência governamental dos militares brasileiros começa por sua subserviência internacional a uma potência estrangeira, pelo menos desde a Segunda Guerra Mundial. Uma falta de soberania externa que multiplica e agrava a fonte primordial da inabilidade e do despreparo do militar brasileiro para o exercício do governo em condições democráticas. Sintetizando nosso argumento: a maior virtude dos militares é sua hierarquia, disciplina e sentido de obediência e, portanto, para um “bom soldado”, é falta grave ou mesmo traição qualquer questionamento das “ordens superiores”. Como consequência, a “verdade” de todo soldado é definida pelo seu superior imediato, e assim sucessivamente, até o topo e ao fim da sua carreira. Dentro das Forças Armadas, a “obediência cega” é considerada uma virtude e condição indispensável do sucesso na guerra ou em qualquer outra “situação binária” em que existam só duas alternativas: amigo ou inimigo, ou “azul” ou “vermelho”, como costumam se dividir os militares em seus “jogos de guerra”.

No hay posibilidad de “contradictorio” en este tipo de jerarquía, y por eso se puede decir que la jerarquía militar es por definición antidemocrática. Además, en este tipo de jerarquía altamente verticalizada, como es el caso de los militares, se prohíbe o desalienta la crítica, el cambio y el mismo ejercicio del pensamiento inteligente, y se considera una falta muy grave. Por tanto, es la propia disciplina indispensable para el cumplimiento de las funciones constitucionales de las Fuerzas Armadas, la que las incapacita para el ejercicio eficaz de un gobierno democrático.

En el caso brasileño, este tipo de cabeza autoritaria pudo coexistir, durante el período de la dictadura militar – entre 1964 y 1985 – con el proyecto económico del “desarrollismo conservador”, porque no había democracia ni libertad de opinión, y porque las prioridades del proyecto ya estaban definidas de antemano desde la segunda revolución industrial. La hoja de trabajo era simple y ajustada para cabezas binarias: construcción de carreteras, puentes, aeropuertos y sectores clave para la industrialización del país. Al mismo tiempo, esta mentalidad binaria y autoritaria, y alejada de la sociedad y del pueblo brasileño, contribuyó a la creación de una de las sociedades más desiguales del planeta, debido a su total ceguera social y política.

Después de la redemocratización, en 1985, esa misma estrechez de miras de las nuevas generaciones militares perdió la capacidad de comprender la complejidad de Brasil y el lugar del país en el nuevo orden mundial multilateral del siglo XXI. Terminó la Guerra Fría, EE.UU. dejó de apoyar políticas desarrollistas y todo indica que el entrenamiento militar fue secuestrado por la visión neoliberal. Como resultado, los militares brasileños todavía no lograron deshacerse de su visión anticomunista de la posguerra, de vez en cuando confunden a Rusia con la Unión Soviética, y aún agregan a esto una nueva visión binaria, derivada de manuales de economía ortodoxa y fiscalista, en los que se trata al propio Estado como un gran enemigo.

Resumiendo nuestro punto de vista: la generación de militares “desarrollistas” brasileños del siglo XX era un “vasallo” en relación a los EE.UU., tenía sólo una visión territorial del Estado y de la seguridad nacional, y tenía una visión policiaca de sociedad y ciudadanía, pero apoyó una estrategia de inversión que favoreció la industrialización de la economía hasta la década de 1980. La nueva generación de militares “neoliberales” del siglo XXI profundizó su vasallaje americano, reemplazó al Estado por el mercado, siguió pisoteando la democracia y los derechos sociales. derechos de los ciudadanos brasileños.

Neste ponto, podemos voltar à tese inicial de Niall Ferguson, para complementá-la ou desenvolvê-la, porque no caso de uma “corporação militar vassala”, e em um país periférico como o Brasil, a incompetência militar se vê agravada pela sua submissão à estratégia militar e internacional de outro país. Não se pode governar um país quando não se tem autonomia para definir quais são seus próprios objetivos estratégicos, e quais são seus aliados, competidores e adversários. Não se pode governar um país quando não se aceita o contraditório e se trata como inimigos todos os que divergem de suas opiniões. Não se pode governar um país quando se tem medo ou está proibido de pensar com a própria cabeça. Não se pode governar um país enquanto se olha para seus cidadãos como se fossem seus subordinados. Não se pode governar um país enquanto não se compreender que a obrigação fundamental do Estado e o compromisso básico de qualquer governo é com a vida e com os direitos à saúde, ao emprego, à educação, à proteção e ao desenvolvimento material e intelectual de todos os seus cidadãos, independentemente de sua classe, raça, gênero, religião ou ideologia, sejam eles seus amigos ou inimigos.

*Este es un artículo de opinión, responsabilidad del autor, y no refleja la opinión de Brasil 247.