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Paulo Moreira Leyte

Columnista y comentarista en TV 247

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Um Feliz Natal, apesar de Bolsonaro

"Poucos povos enfrentam uma tragédia tão amarga como nós, brasileiros, alvo de um governo que nada faz para impedir o agravamento da pandemia e dá demonstrações contínuas -- e efetivas -- de trabalhar pelo seu agravamento", escreve Paulo Moreira Leite, do Jornalistas pela Democracia

Jair Bolsonaro (Foto: Alan Santos/PR)

Por Paulo Moreira Leite, de Periodistas por la democracia

Apesar da sabotagem, a vacinação chegou ao Chile, estará na Argentina e não será possível impedir sua chegada ao Brasil, escreve Paulo Moreira Leite, do Jornalistas Pela Democracia

Traumatizados por uma tragédia com poucos paralelos na história, 7,8 bilhões de seres humanos aguardam a chegada de 2021 como se fossem alunos que repetiram de ano e terão de  voltar às aulas após um ano de fracasso escolar. Há diferenças, contudo.

Apesar de todo sofrimento recente, e que está longe de terminado, em  2021, uma parte cada vez mais numerosa da humanidade já terá uma boa razão para esperar um destino melhor.

São aqueles povos que começaram a ser vacinados, esse direito que deveria ser universal como o ar e a água, mas que  chega a ser visto como privilégio de países ricos.

Poucos povos enfrentam uma tragédia tão amarga como nós, brasileiros, alvo de um governo que nada faz para impedir o agravamento da pandemia e dá demonstrações contínuas -- e efetivas -- de trabalhar pelo seu agravamento.

Não é indiferente às dores do povo. É contra o povo.

É preciso recordar a década de 1970, quando uma epidemia de meningite produziu um número imenso mas até hoje não contabilizado de mortos  para compreender o que se passa hoje no país.

Temendo o efeito devastador da doença sobre um governo que dava as costas para saúde pública, a ditadura praticava a censura de guerra -- simplesmente proibia a divulgação de notícias sobre o inímigo.

 As proibições sobreviveram à troca de ditadores.

Um ministro da Saúde de Ernesto Geisel deu uma entrevista sobre o assunto para a VEJA. A censura prévia, nas mãos dos aliados da linha dura de Emílio Médici, abrigo dos pais ideológicos de Jair Bolsonaro, seguia ativa e impediu que fosse publicada.

No já extinto Jornal da Tarde, um veterano repórter, Demócrito Moura,  apurava notícias que seriam substituidas por receitas de bolo e poemas de Camões. Demócrito não se importava. Se alguém telefonasse a redação, transmitia as informações com naturalidade.

Incapaz de retirar notícias dos jornais, da tv, da internet, Bolsonaro trabalha 24 horas por dia para publicar fatos inexistentes, festejar momentos de dor e aumentar a produção de fake news que o protegem desde 2018.

Sempre fez e sempre fará o possível para manter o vírus em atividade. É capaz de festejar notícias ruins -- talvez boatos, sobre a vacina fabricada no país. 

A pandemia é, cada vez mais, a principal barreira as manifestações do povo, que não tem nenhum motivo para festejar Bolsonaro e seus desmandos.

A boiada precisa passar, ensinou um dos ministros naquela terrível reunião de 29 de abril.

Depois que até seu protetor Donald Trumb caiu, Bolsonaro tornou-se incapaz de caminhar em segurança. A vida, para ele, tornou-se um risco. Este é o horizonte de 2021.

A vacina está chegando ao Chile, a Argentina, a Costa Rica. Bolsonaro e seu governo podem atrapalhar, sabotar e demorar, mas não vao impedir sua chegada ao Brasil.

Feliz navidad.

¿Alguna duda? 

*Este es un artículo de opinión, responsabilidad del autor, y no refleja la opinión de Brasil 247.