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Amorim critica “submissão total e incondicional” de Bolsonaro aos EUA

O ex-ministro Celso Amorim afirma que, "ao recusar um encontro com o chanceler francês, Bolsonaro ofendeu deliberadamente o país que resistia ao acordo" entre União Europeia e Mercosul para agradar aos EUA. "O eixo central da visão de mundo bolsonarista, para além do obscurantismo que preside as ações no campo interno, é a submissão total e incondicional a Washington", critica

Amorim critica “submissão total e incondicional” de Bolsonaro aos EUA (Foto: Editora 247)

247 - O ex-ministro das Relações Exteriores Celso Amorim afirma que, "ao recusar um encontro com o chanceler francês, Bolsonaro ofendeu deliberadamente o país que resistia ao acordo" entre União Europeia e Mercosul. De acordo com o ex-chanceler, o objetivo foi agradar ao governo dos Estados Unidos, Donald Trump.

"Jair Bolsonaro declara-se cada vez mais apaixonado pelo presidente americano e age de acordo com esse sentimento, ao propor exploração conjunta das riquezas amazônicas (até há pouco um anátema para os militares brasileiros) e ao contrariar os interesses do agronegócio, que ajudou a elegê-lo, aderindo cegamente ao embargo unilateral dos Estados Unidos ao Irã", escreve o Amorim em texto publicado na Carta Capital.

O ex-ministro destaca que o secretário de Comércio dos EUA, Wilbur Ross, "assinalou a existência de riscos que o acordo com a UE pode embutir, já que as normas europeias sobre automóveis, máquinas e outros produtos diferem das americanas".

Na primeira oportunidade, diz Amorim, Bolsonaro "deu um tiro (possivelmente de morte) no acordo com os europeus, ao destratar de forma humilhante o ministro do exterior da França, justamente o país, que por boas (clima, direitos humanos) e más (protecionismo agrícola) razões mais resiste a um acordo com o Brasil".

"O eixo central da visão de mundo bolsonarista, para além do obscurantismo que preside as ações no campo interno, é a submissão total e incondicional a Washington. Para reafirmá-la vale tudo: até mesmo jogar por terra o sonho livre-cambista dos economistas neoliberais e seus sequazes".