Macron reconhece importância política de Lula e dá 'tapa de luva' em Bolsonaro, diz Kennedy Alencar
"Macron é um político conservador, de centro-direita, e está recebendo um de centro-esquerda. Isso mostra a capacidade que o Lula tem de dialogar", avaliou o jornalista sobre o encontro entre o presidente da França e o ex-presidente Lula
247 - O jornalista Kennedy Alencar, colunista do UOL, comentou a recepção do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva feita nesta quarta-feira (17) pelo presidente da França, Emmanuel Macron, com protocolos de chefe de Estado.
Para Kennedy, Macron, deu um "tapa com luva de pelica" em Jair Bolsonaro, seu desafeto. "Macron dá um tapa de luva de pelica em Bolsonaro, mas é mais do que isso: ele reconhece a importância que o Lula tem e que o Bolsonaro é menos importante, um pária", avaliou Kennedy.
Para Kennedy, Lula, ao contrário de Bolsonaro, tem uma "postura de chefe de Estado". "Macron é um político conservador, de centro-direita, e está recebendo um de centro-esquerda", disse. "Isso mostra a capacidade que o Lula tem de dialogar", pontuou.
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Entenda por que Macron despreza Bolsonaro, mas recebeu Lula como chefe de Estado
Com protocolo de chefe de Estado, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi recebido, na manhã desta quarta-feira (17), pelo presidente da França, Emannuel Macron, no Palácio do Eliseu, em Paris. O encontro foi fechado e a pauta da reunião não foi divulgada para a imprensa.
É possível imaginar que Lula -- que lidera as pesquisas de intenção de votos para as eleições de 2022 - dialogue com Macron sobre a conturbada relação entre França e Brasil durante o governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que se tornou desafeto do presidente francês.
Macron não esconde a antipatia que nutre por Bolsonaro e tem utilizado o presidente para mostrar aos franceses que seu governo tem uma preocupação ambiental, colocando o brasileiro como exemplo de descompromisso com o meio ambiente.
O ponto alto da tensão entre os dois países, foi quando o presidente brasileiro marcou uma audiência com Jean-Yves Le Drian, ministro de Relações Exteriores da França, em julho de 2019, e cancelou a reunião para fazer uma live, em suas redes sociais, cortando o cabelo.
O desrespeito de Bolsonaro com o ministro francês não ficou barato. Em agosto de 2019, um mês depois, Macron convidou o Chile para que fosse o representante sul-americano no encontro do G7, realizado na França.
Durante o encontro, o presidente chileno Sebastián Piñera foi flagrado criticando Bolsonaro em um bate-papo com Macron. Um dia antes, o presidente brasileiro havia zombado da aparência da primeira-dama francesa, Brigitte Macron, ao responder o comentário de um seguidor na internet que a comparava com Michelle Bolsonaro, companheira do mandatário brasileiro.
“Entende agora por que o Macron odeia Bolsonaro?”, perguntou o bolsonarista em publicação no Facebook. Bolsonaro comentou: “Não humilha cara. Kkkkkk”. A resposta do brasileiro gerou uma crise entre os dois países e Macron falou sobre o tema com Piñera.
“Eu tinha que reagir, entende?”, perguntou Macron a Piñera. “Eu queria ser pacífico, queria ser correto, construtivo com o cara e respeitar sua soberania. Tudo bem. Mas eu não poderia aceitar isso. Me desculpe, isso não é atitude de um presidente”. “Eu concordo”, respondeu o chileno.
