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Procurador retoma caso de militar que espionava manifestantes

A 7ª Câmara de Coordenação e Revisão da Procuradoria Geral da República, em Brasília, decidiu ressuscitar uma investigação a respeito do major William Pina Botelho, o oficial de inteligência do Exército que, sob a identidade falsa de Balta Nunes, atuou como infiltrado em movimentos sociais ao longo de pelo menos dois anos, mentindo e assediando mulheres

Militar infiltrado nas manifestações contra Temer, capitão Willian Pina Botelho (Foto: Lais Gouveia)

247 - A sorte pode estar mudando para o major William Pina Botelho, o oficial de inteligência do Exército que, sob a identidade falsa de Balta Nunes, atuou como infiltrado em movimentos sociais ao longo de pelo menos dois anos, mentindo e assediando mulheres, e que, em 4 de setembro de 2016, envolveu-se na controversa detenção de 18 jovens e três adolescentes antes de uma manifestação "Fora, Temer", no CCSP (Centro Cultural São Paulo).

Desde que teve sua atuação exposta, em reportagem da Ponte e também do EL PAÍS, em 2016, o militar escapou ileso de todos os procedimentos que se aproximaram de investigar sua atuação — no Ministério Público Estadual, na Procuradoria de Justiça Militar, na Câmara dos Deputados e no próprio Exército. Mas isso pode mudar. É que a 7ª Câmara de Coordenação e Revisão (Controle Externo da Atividade Policial e Sistema Prisional), da Procuradoria Geral da República, em Brasília, decidiu ressuscitar uma investigação a respeito de Botelho que caminhava para o esquecimento.

Os procuradores de Brasília, contudo, não aceitaram o pedido de arquivamento e devolveram o procedimento para a Procuradoria paulista. Em 19 de fevereiro deste ano, a investigação foi parar na mesa do procurador da área criminal Marcos Angelo Grimone, que decidiu retomar o caso. Agora, a investigação atualmente movida pelo MPF adota uma estratégia que não permite questionamentos de competência pelo Ministério Público Estadual no Conselho Nacional do Ministério Público, como já aconteceu. É que agora o foco é o militar enquanto um agente federal, da alçada do MPF, e não a polícia.

Além da possibilidade de resultar numa ação criminal, o procurador afirma que a investigação também poderia – sempre "em tese" – recomendar a instauração de uma ação civil de improbidade administrativa, que, em caso de condenação, poderia levar à perda do cargo.

Quem deu a ordem?

A investigação também pode ir além de Botelho e seu alter ego Balta. "Agora preciso saber se ele se fez passar por outra pessoa agindo em nome do Estado brasileiro. É essa investigação que estamos fazendo", afirma. Se ficar provado que agiu sob ordens do Exército, "em tese, os superiores poderiam ser responsabilizados, porque existe a cadeia de comando".

Leia a íntegra da matéria no El País