"Querem passar a boiada também na psiquiatria", diz Paulo Amarante, referência na luta antimanicomial
Segundo o especialista, a intenção do governo Bolsonaro com a desativação do SUS para o tratamento de questões relacionadas à saúde mental é encher o bolso de instituições particulares do setor. “Eles querem um sistema privado pago pelo público, eles querem o SUS a favor dos seus interesses”, disse à TV 247. Assista
247 - Psiquiatra, pioneiro do movimento brasileiro de reforma psiquiátrica e fundador e ex-presidente nacional da Associação Brasileira de Saúde Mental (ABRASME), Paulo Amarante comentou na TV 247 a intenção do governo Jair Bolsonaro de promover um “revogaço” de cerca de cem portarias sobre saúde mental.
De acordo com Amarante, esta é uma medida que visa encher os bolsos dos donos de hospitais e clínicas psiquiátricas, já que o serviço não seria mais ofertado pelo SUS e, consequentemente, os pacientes procurariam instituições particulares para dar prosseguimento ao tratamento ou o próprio SUS financiaria os cuidados destes cidadãos em clínicas particulares. “Essas pessoas não são bolsonarianas, elas são mercadores. Na verdade, na mesma linha do ministro do meio ambiente, elas estão tentando ‘passar a boiada’. São pessoas oportunistas. Eu tive a honra histórica de participar do fechamento do hospital de Paracambi, hospital privado de um ex-ministro da Saúde que foi quem, no governo militar ainda, implantou essa política de privatização dos hospícios. O hospital de Paracambi chegou a ter 2.500 internos pagos pelo SUS. O privado no Brasil que eles querem é isso. Eles querem um sistema privado pago pelo público, eles querem o SUS a favor dos seus interesses”.
Referência internacional no tema da luta antimanicomial, Amarante ainda falou contra a política de internação compulsória, que o governo Bolsonaro deseja reintroduzir. Segundo o especialista, o combate à internação obrigatória rendeu uma verdadeira “revolução na psiquiatria”. “Aparentemente, para as famílias, tirar alguém de dentro de casa e interná-la em uma instituição para que ela fique ali entregue à sorte é salvar a família, então existe muito disso, desse clientelismo oportunista. Nós fizemos o contrário, mostramos que é possível tratar em liberdade, tratar a pessoa no território onde ela vive, utilizar essa sua diferença de maneira produtiva, criativa, incorporando as pessoas. Nós fizemos uma verdadeira revolução na psiquiatria”.
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