Seria Joaquim Barbosa a alma gêmea de Serra?
O jornalista Paulo Nogueira, editor do site Diário do Centro do Mundo, responde que sim: "Barbosa é uma espécie de alma gêmea de Serra: o mesmo ar superior, a mesma empáfia, a mesma capacidade de se indispor com seus pares, o mesmo apreço pelos holofotes e pela última palavra. E acima de tudo: o mesmo fã clube"; leia o artigo "Por que Joaquim Barbosa é alma gêmea de Serra"
247 - O desempenho do ministro Joaquim Barbosa no julgamento da Ação Penal 470 não tem agradado a todos, ao contrário do que algumas manchetes de jornal podem levar a crer. Prova disso é que já surgiu uma comparação do relator do processo do 'mensalão' com o campeão de rejeição José Serra. O autor da comparação é o jornalista Paulo Nogueira, editor do site Diario del Centro del MundoLea a continuación:
Por que Joaquim Barbosa é alma gêmea de Serra
Serra parecía sentirse cómodo en su posición como el brasileño más antipático, hasta que apareció Barbosa, nuestro Batman.
Não imaginei que Serra ganhasse concorrência relevante ao posto de brasileiro mais antipático, mas me equivoquei.
O julgamento do mensalão trouxe para o centro dos holofotes Joaquim Barbosa, o Batman. Barbosa é uma espécie de alma gêmea de Serra: o mesmo ar superior, a mesma empáfia, a mesma capacidade de se indispor com seus pares, o mesmo apreço pelos holofotes e pela última palavra.
E acima de tudo: o mesmo fã clube.
Tenho para mim que você pode definir a estatura de um homem pelas pessoas que a admiram e a louvam. Barbosa, como Serra, é ídolo do 1%, aquele grupo que está na vanguarda do atraso nacional, as pessoas que se agarram a seus privilégios como se estivessem na corte de Luís 16 em Versalhes e dificultam que o Brasil se torne um país socialmente desenvolvido.
Barbosa, se olharmos pelo lado positivo, deu agora ao país uma grande contribuição: mostrou involuntariamente quanto o sistema judiciário brasileiro é capenga. Sequer aplicar direito a agora célebre Teoria do Domínio do Fato nosso STF conseguiu, a despeito de todo o palavrório empolado e supostamente erudito.
Barbosa conseguiu o que parecia impossível: transferir uma enorme, inédita carga de simpatia por Zé Dirceu, que com seu ar doutoral e arrogante jamais foi benquisto para além das fronteiras do PT e do seu próprio círculo de amizade.
Como Serra, Barbosa defende Versalhes e seu status quo – e isso os faz, se é que é possível, ainda mais antipáticos do que naturalmente já são.