Ex-presidente é acusado de dar golpe contra a Vale
Associado ao banqueiro André Esteves, Roger Agnelli estaria tentando negociar com filho do presidente da Guiné acesso a recursos hoje concedidos à mineradora brasileira; golpe contra a maior exportadora brasileira é liderado pelo próprio ex-presidente da companhia e por um banqueiro com relações próximas com o poder
247 - Durante muitos anos, Roger Agnelli comandou a Vale e só caiu porque se indispôs com o presidente Lula e sua sucessora Dilma Rousseff. Antes disso, o banqueiro André Esteves, do BTG Pactual, tentou montar uma operação de tomada de controle da mineradora, associado ao empresário Eike Batista, que não vingou.
Agora, os dois estão juntos, numa iniciativa com ares de espionagem internacional e cheiro de traição. Esteves e Agnelli são acusados de assediar o filho do presidente da Guiné, Alpha Mohamed Condé, para ter acesso aos direitos de exploração da mina de Simandou, com reservas de ferro semelhantes às de Carajás, no Pará. Ocorre que, hoje, os direitos de exploração da mina pertencem a um consórcio formado pela Vale e pela empresa israelense BSG.
À frente desta empresa, o israelense Asher Avidan veio ao Brasil para procurar escritórios de advocacia. Está disposto a processar tanto o BTG quanto Agnelli. “O BTG e Agnelli chegaram pela porta de trás. Estão negociando com Alpha Mohamed Condé, filho do presidente da Guiné”, disse ele aos jornalistas David Friedlander e Fernando Scheller, do Estado de S. Paulo.
Segundo Avidan, Esteves e Agnelli querem tomar das mãos da Vale o controle de Simandou, que seria “o maior ativo de mineração inexplorado do mundo atualmente”. O argumento para o processo é o que Avidan chama de “tortious interference”, quando terceiros tentam prejudicar contratos em andamento de uma outra empesa.
O que espanta, no caso da Vale, é que o ataque esteja sendo liderado pelo ex-presidente da companhia e por um banqueiro que mantém relações próximas com o poder.