A "mágoa de caboclo" de Humberto Costa
Passados onze dias das eleições municipais, Humberto Costa (PT), ainda não digeriu a derrota para o candidato Geraldo Julio (PSB) na disputa pela Prefeitura do Recife; Amargando a terceira colocação no pleito, o senador atribiu a derrota a erros de gestão do atual gestor, João da Costa (PT), e ao apoio velado dado por este ao rival socialista; A situação deverá ser levada à Executiva Nacional logo após o fim do segundo turno das eleições 2012
Leonardo Lucena_PE247 – As desavenças no PT continuam indo além das paredes do partido. Onze dias após as eleições, nas quais ficou em terceiro lugar, o senador Humberto Costa voltou a atacar o atual prefeito do Recife, João da Costa, e deixou em aberto o destino político do correligionário. Segundo o congressista, o gestor foi um dos principais responsáveis pelo fracasso do Partido dos Trabalhadores no pleito municipal e bateu mais uma vez na tecla de que o prefeito apoiou o postulante adversário Geraldo Júlio (PSB), eleito no primeiro turno.
“Acho que o prefeito foi um dos grandes responsáveis pelo resultado. Ele não conseguiu construir politicamente um mandato, uma gestão”, disse, em entrevista à Rádio Folha. Em meio aos boatos que surgiram na reta final de campanha de que a ala do Humberto Costa estaria montando um dossiê para expulsar o prefeito da legenda, o senador desconversou a respeito. “Quem tem que decidir se fica ou não é João da Costa”, acrescentou.
“Não tenho dúvidas de que ele (o prefeito) apoiou Geraldo Júlio. A máquina da Prefeitura, os vereadores ligados a ele, as pessoas próximas... Todos apoiaram escancaradamente”, afirmou. “Ele só não teve a transparência de anunciar publicamente. Não sei se foi porque o candidato do PSB não queria isso”, complementou.
Com toda a evidente instabilidade interna no PT recifense, Humberto Costa, assim como o seu candidato a vice, o ex-prefeito João Paulo, reconheceu que os rachas intrapartidários prejudicaram a sigla na corrida eleitoral. “O desgaste da gestão, além das brigas internas, transferiram essa enorme rejeição para o PT. Faltou unidade do partido. Nacionalmente, onde estávamos unidos, tivemos bons resultados”, completou.
O senador informou que vai conversar com Lula e a presidente Dilma Rousseff somente após o segundo turno em outras capitais para debater o futuro do PT e, obviamente, a crise que grassa no interior da legenda.