Alunos do Bolsa Família são mais reprovados
Alunos da rede pública de ensino que estão em 1,1 milhão de famílias em todo o estado de Minas são mais reprovados do que os colegas que não são assistidos pelo Bolsa Família; em suma, o programa garante a assiduidade dos estudantes, mas a presença na sala de aula não reflete nas notas; índice de reprovação é 3,2 pontos percentuais maior do que no caso dos demais alunos, segundo pesquisa da UFMG
Minas 247
Pesquisa da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) revela números preocupantes. Alunos da rede pública de ensino que estão em 1,1 milhão de famílias em todo o estado, são mais reprovados do que os colegas que não assistidos pelo Bolsa Família.
Em suma, o programa garante a assiduidade dos estudantes, mas a presença na sala de aula não reflete nas notas. O índice de reprovação é 3,2 pontos percentuais maior do que no caso dos demais alunos.
A doutoranda em demografia pelo Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional da UFMG, Márcia Barroso, responsável pela pesquisa junto com a também doutoranda Regiane de Carvalho, explica que o resultado já era esperado. "O simples fato de receber o Bolsa Família não é suficiente para que as crianças consigam acompanhar as aulas", afirma.
Para chegar ao resultado, as pesquisadoras utilizaram dados de 17 mil domicílios mineiros levantados pela Pesquisa por Amostra de Domicílios (PAD 2009). Uma fórmula internacional foi usada para comparar um grupo beneficiado pelo Bolsa Família e outro sem a fonte de renda.
A gerente de projetos da Organização Não Governamental Todos Pela Educação, Andrea Bergmaschy, explica que o aprendizado não depende só da escola, mas do ambiente econômico. As crianças beneficiadas acabam não desenvolvendo todas as potencialidades. "A criança que está mais exposta a estímulos cognitivos vai ter melhor desempenho".