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Araújo sobre corrupção: Dilma tirou o lixo de debaixo do tapete

Segundo o ex-marido de Dilma Rousseff, o senador tucano Aécio Neves força a queda para que haja eleições antecipadas porque sabe que perderá o posto de candidato do PSDB para Alckmin em 2018; sobre o legado a ser deixado pela petista, ele ressalta que a transparência no combate à corrupção: “Ela vai ser lembrada porque fez um governo que tirou o lixo de debaixo do tapete. Levantou o tapete e mandou apurar tudo sem interferir em nada. Isso nunca aconteceu na história do país”

Segundo o ex-marido de Dilma Rousseff, o senador tucano Aécio Neves força a queda para que haja eleições antecipadas porque sabe que perderá o posto de candidato do PSDB para Alckmin em 2018; sobre o legado a ser deixado pela petista, ele ressalta que a transparência no combate à corrupção: “Ela vai ser lembrada porque fez um governo que tirou o lixo de debaixo do tapete. Levantou o tapete e mandou apurar tudo sem interferir em nada. Isso nunca aconteceu na história do país” (Foto: Roberta Namour)

Por Maíra Streit, de Revista Foro

O advogado Carlos Araújo é uma das pessoas mais próximas à presidenta Dilma Rousseff, com quem foi casado por quase 30 anos. Os dois mantêm uma relação de profunda cumplicidade desde que ainda eram “Max” e “Estela”, codinomes usados durante a clandestinidade no regime militar.

Foi Carlos quem Dilma procurou primeiro para falar do convite para concorrer à sucessão de Lula na presidência e, até hoje, ele acompanha todos os passos da ex-companheira no comando do país, embora afaste o título de “conselheiro”. Nessa entrevista exclusiva à Fórum, ele avalia a atual crise econômica, mas afirma que a instabilidade política é provocada artificialmente por setores da oposição que aproveitam o momento para se sobressair.

Prova disso seria a postura do senador Aécio Neves (PSDB-MG), que estaria forçando a derrubada da presidenta para tentar antecipar as eleições, já que dificilmente seria o escolhido do partido para a disputa de 2018 ao Palácio do Planalto. O advogado comenta ainda sobre o enfraquecimento de Eduardo Cunha à frente da Câmara dos Deputados e diz que Dilma nunca chegou a acreditar que o impeachment pudesse se tornar uma realidade.

Respecto al legado que dejará la diputada del Partido de los Trabajadores, enfatiza que la transparencia en la lucha contra la corrupción y el fomento de las investigaciones deben inaugurar una nueva forma de abordar este tipo de irregularidades. «Será recordada porque lideró un gobierno que sacó a la luz la corrupción. Levantó la alfombra y ordenó que se investigara todo sin interferir en nada. Esto no tiene precedentes en la historia del país», señala.

Confira abajo una entrevista na íntegra:

Fórum – Da última vez em que nós conversamos, o senhor estava otimista em relação ao segundo mandato da presidenta Dilma, que tinha acabado de ser reeleita. De lá para cá, como ficou a sua avaliação desses primeiros meses de governo?

Carlos Araújo – Acho que estamos vivendo uma crise econômica muito forte, uma crise internacional e também nacional. A luta toda é para sair dessa crise quanto mais cedo e com o mínimo de prejuízo ao povo brasileiro, principalmente em relação ao custo de vida e ao desemprego. Paralelamente, tem também uma crise política, que acho um pouco artificial. Essa coisa de impeachment não tem base jurídica e ficam batendo em cima disso, criando uma situação política instável. Em vez de colaborar, acabam prejudicando o esforço para superar a crise econômica.

Creio que isso é um pouco artificial. Principalmente o senador Aécio Neves, que sabe que não será candidato em 2018, será o [Geraldo] Alckmin, e quer fazer eleições antecipadas para poder ser candidato e ter chance de vitória. É um artificialismo. Temos que respeitar as regras democráticas. Qualquer coisinha é motivo paraimpeachment. O posicionamento da presidenta não tem sido diferente do que foram os últimos presidentes. Vejo que essa crise política é um pouco forçada e, ao mesmo tempo, o empenho todo tem que ser no sentido de superar a grave crise econômica que o país está vivendo.

Foro – El año 2015 comenzó y continúa siendo tenso en la política nacional. Por otro lado, ¿cree usted que el ala más radical de la oposición ya muestra signos de moderación?

Araújo – Acho que sim. O PSDB afirmou que não compactua com a questão doimpeachment. O que o Aécio Neves fez? Aliou-se com a parte mais conservadora do PSDB e com o DEM. É inacreditável que ele tenha entrado nessa. É a ânsia de virar presidente a qualquer custo. Eu vejo essa aliança dele com a direita e o DEM é o que há de mais conservador nesse país, além de setores mais conservadores do PSDB.

A gente sabe que tem a bancada BBB: bíblia, bala e bola, com as falcatruas do futebol. Agora é a CCC: Carlos Sampaio [líder do PSDB na Câmara dos Deputados], Cunha Lima [líder do PSDB no Senado] e o [Ronaldo] Caiado [líder do DEM na mesma casa] (Risos). Toda hora ele fala junto com o Caiado, várias referências elogiosas. Precisamos sair da crise e ganhar dinheiro. Agora deu uma recuada momentânea, tomara que não seja momentânea. Como estão tão fora da realidade?

Las elecciones son en 2018. El afán de Aécio es oportunista. Enfrentarse a Lula no es ninguna broma. Es mejor enfrentarlo ahora que en 2018. Así veo la situación. La crisis es profunda, no es una crisis cualquiera, pero creo que para mediados del año que viene habrá crecimiento de nuevo.

Foro – ¿Y qué hay de Eduardo Cunha? Es uno de los principales opositores del presidente, pero ya no tiene el mismo poder tras las acusaciones investigadas por la Operación Lava Jato.

Araújo – Está muito enfraquecido. A Lava-Jato é muito grave, não é pouca coisa. Então, aquilo que ele conseguiu com o baixo clero [da Câmara] tende a se desfazer. Lentamente, mas a tendência é essa. O Aécio já deu declarações contra ele. As pessoas querem se ver livres.

Como é essa questão? Se é do partido ou de outros partidos, a corrupção tem que ser combatida. Mas se é de aliados, da oposição, vamos fechar os olhos? Tem que ter um mínimo de coerência. Isso criou uma tensão interna muito forte dentro do PSDB. Tem que ter coerência.

Fórum – Dilma chegou a temer, de fato, um impeachment?

Araújo – Nunca, nunca. É uma coisa muito irreal, não tem base nenhuma. Não é porque o Aécio quer e alguns conservadores querem. Como é que é isso? Em cima disso faz todo um carnaval? Ela sempre se manteve tranquila. O que preocupa mesmo é a crise, mas ela está preparada para enfrentar situações difíceis.

Foro – ¿Cuáles son las perspectivas para las elecciones de 2018? Dices que no crees en la candidatura de Aécio. ¿Será realmente una contienda entre Lula y Alckmin?

Araújo – Lula, Alckmin, Marina, um dos irmãos Gomes talvez. Vejo isso e acho que Lula é o favorito. É um daqueles políticos na história do país que mesmo as questões adversas não afetam muito.

Foro – Y con la salida de la presidenta de la presidencia en 2018, ¿cómo cree que será recordada? ¿Qué huella dejará Dilma Rousseff?

Araújo – Ela vai ser lembrada pelo país porque fez um governo que tirou o lixo de debaixo do tapete. Levantou o tapete e mandou apurar tudo sem interferir em nada. Isso nunca aconteceu na história do país. Colaborou com as investigações, estimulou, não é fácil. É uma postura que vai ser um marco. Isso [a corrupção] vem de longe, não é de agora, mas perpassa muitos governos.