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Brayner avalia Amorim: “discurso do novo contra o velho se tornou blefe”

O jornalista Diógenes Brayner comenta a participação do presidente do PTB, Edivan Amorim, na sabatina de jornalistas e questiona validade do discurso do PSC para as eleições de 2014;  “Eduardo Amorim é um nome forte – já chegou a ser mais – e também vem trabalhando com competência para isso, junto a lideranças importantes do interior. Mas está escrito: se não fizer composição segura e firme corre o risco de continuar no Senado por mais quatro anos. Antes seu nome parecia imbatível, inclusive porque surgiu mais cedo como pré-candidato, mas hoje o cenário é outro, com chances para o sucesso ou o fracasso, como é natural nas disputas eleitorais”, afirma

Brayner avalia Amorim: “discurso do novo contra o velho se tornou blefe”

Sergipe 247 – O jornalista Diógenes Brayner avalia, em sua coluna no jornal Correio de Sergipe, na edição desta sexta-feira (17) que o discurso que está sendo utilizado pelo PSC, para promover a candidatura ao Governo do grupo em 2014, está superado. O comentário de Brayner é feito com base na participação do presidente do PTB, Edivan Amorim, no encontro com jornalistas, denominado “Cabaré”, que ocorreu ontem.

“Sem dúvida esse discurso está superado. O eleitor não suporta mais essa ideia de que existe “o novo e o velho” na política sergipana, porque todos são conhecidos de muitos carnavais. Não faz mais sentido esse comparativo, porque se tornou em um blefe”, afirma Brayner.

Na análise, o jornalista comenta que este tipo de comparação se mostrou falha na última eleição para prefeito de Aracaju, quando disputaram o atual prefeito João Alves Filho (DEM) e o deputado federal Valadares Filho (PSB). “Chega a ser preconceituoso, por julgar incapaz quem já está acima de 60 anos e tenha seguidos mandatos proporcionais ou majoritários”, disse.

Sobre o senador Eduardo Amorim, Brayner comenta: “Eduardo Amorim é um nome forte – já chegou a ser mais – e também vem trabalhando com competência para isso, junto a lideranças importantes do interior. Mas está escrito: se não fizer composição segura e firme corre o risco de continuar no Senado por mais quatro anos. Antes seu nome parecia imbatível, inclusive porque surgiu mais cedo como pré-candidato, mas hoje o cenário é outro, com chances para o sucesso ou o fracasso, como é natural nas disputas eleitorais”.

Confira a íntegra da coluna:

Estratégia caducou

O empresário Edvan Amorim (PTB), que montou uma estrutura político partidária forte em Sergipe, esteve ontem no Cabaret. Êpa! Não é o cabaré que o leitor pode estar imaginando, mas um bar que cede espaço para que jornalistas entrevistem, às quintas-feiras, pessoas interessantes na vida pública e privada do Estado.

Pois bem! Edvan no cabaret foi casa cheia. De pessoas que não simpatizam com ele junto a aliados e amigos. Os jornalistas em busca de arrancar o máximo dele, já que se dispunha a responder sobre tudo que lhe perguntassem. E foi assim que se comportou. Bom no jogo dos bastidores, Edvan deixou algumas dicas de como o seu grupo vai se comportar durante as eleições de 2014, cujo irmão – senador Eduardo Amorim (PSC) – é pré-candidato a governador.

Logo no início das conversas, o bem articulado Edvan deixou escapar o que parece uma das estratégias de marketing, no momento entregue a Theotônio Neto, que tem orientado sobre táticas de pré-campanha. Disse Amorim: “Sergipe precisa de cara nova. Os antigos já fizeram por Sergipe, hoje estamos discutindo política em um cabaré, as coisas mudaram”.

E mais: “a política sergipana precisa ser reoxigenada. Teremos um candidato para virar essa página. Um novo horizonte”. Sem dúvida esse discurso está superado. O eleitor não suporta mais essa ideia de que existe “o novo e o velho” na política sergipana, porque todos são conhecidos de muitos carnavais. Não faz mais sentido esse comparativo, porque se tornou em um blefe.

As eleições para a Prefeitura de Aracaju mostraram que esse tipo de confronto – o novo e o velho – chega a ser preconceituoso, por julgar incapaz quem já está acima de 60 anos e tenha seguidos mandatos proporcionais ou majoritários. Embora nas eleições passadas o tema não tenha sido usado com exaustão, o eleitorado fez retornar à vida pública o ex-governador João Alves Filho, aos 70 anos, mas com a disposição de 30 e a cabeça fervendo de idéias e projetos.

Teoricamente, o mote de campanha deve ter endereço certo: vice-governador Jackson Barreto (PMDB), que ao vigor dos 69 anos, ainda tem muito campo pela frente para a prática do jogo político. Jackson é candidato da aliança liderada pelo PT ao Governo do Estado e mostra uma disposição de noivo em lua de mel na penumbra do quarto. Tem viajado, conversado muito e trabalha nos bastidores para conquistar apoio em todos os municípios. Jackson nunca foi um candidato fácil, até pelo estilo inquieto, persistente e de facilidade de interação com o eleitorado.

A idade cronológica às vezes é superada pela mente jovem. Como já disse o grande Tim Maia, “existem jovens de 90 anos e velos de 30”.

Além disso, o próprio João Alves Filho (DEM) voltou a cair no gosto do eleitorado e mesmo que não assuma possibilidade de disputar o Governo em 2014, o seu nome circula nas pesquisas de opinião pública, feitas em vários municípios, como o mais votado à sucessão estadual. Tem quem aposte que o prefeito não deixará passar mais essa oportunidade, mas não há a menor sinalização de que ele esteja à disposição para isso.

As eleições estaduais de 2014 ainda tem muito que acontecer. Não há quadro definido e, como disse Caetano, os “urubus passeiam a noite inteira sobre os girassóis”. Eduardo Amorim é um nome forte – já chegou a ser mais – e também vem trabalhando com competência para isso, junto a lideranças importantes do interior. Mas está escrito: se não fizer composição segura e firme corre o risco de continuar no Senado por mais quatro anos.

Antes seu nome parecia imbatível, inclusive porque surgiu mais cedo como pré-candidato, mas hoje o cenário é outro, com chances para o sucesso ou o fracasso, como é natural nas disputas eleitorais.