Candidato de Demóstenes é favorito ao comando do MP
Lauro Machado, chefe de Gabinete de Benedito Torres, atual procurador-geral e irmão do ex-senador cassado, conta com a máquina da PGJ para vencer a disputa; bandeira de Lauro na AGMP, foi concedido por Benedito e já será pago este mês aos membros do MP de Goiás um auxílio alimentação que pode chegar a R$ 800; outros dois candidatos têm chances na disputa, Mozart Brum e Umberto Machado, que no passado também já pertenceram ao grupo demosteneano
247 - Com o apoio declarado do atual procurador-geral de Justiça, Benedito Torres, e o trabalho nos bastidores do ex-senador cassado Demóstenes Torres (irmão de Benedito), o promotor de Justiça Lauro Machado é atualmente o favorito na disputa pelo comando do Ministério Público de Goiás, cuja eleição acontece em fevereiro. Com chances de entrar na lista tríplice, que será submetida ao governador de Goiás, Marconi Perillo, estão Umberto Machado, dissidente do grupo demosteneano, e Mozart Brum (que também foi chefe de Gabinete de Demóstenes), hoje ligado ao grupo oposicionista.
Lauro, atual chefe do Gabinete de Benedito, foi imposto pelo grupo antes que o atual procurador-geral se aventurasse numa nova disputa. Foi um golpe interno. A avaliação era de que se fazia necessário aproveitar o calor das implicações da CPI do Cachoeira para barrar as intenções reeleitoreiras de Benedito. Seu irmão, Demóstenes, foi o principal alvo no meio político da Operação Monte Carlo, desencadeada pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal em 29 de fevereiro de 2012. Não bastassem a perda do mandato de senador e a inelegibilidade por 14 anos, Demóstenes corre o risco de ficar sem o cargo de procurador depois que um grupo de 82 procuradores e promotores formalizaram denúncia ao Conselho Nacional do Ministério Púbico (CNMP), que analisa o caso.
O favoritismo de Lauro mostra que o grupo de Demóstenes e Benedito ainda tem força no MP goiano. Na chefia do Gabinete, o candidato mantém contato estreito e diário com promotores e procuradores e tem a seu favor os instrumentos que a máquina da Procuradoria pode dispor. Um exemplo é uma resolução recente que concede aos membros do Ministério Público de Goiás um auxílio alimentação que pode chegar a R$ 800 mensais e que já será pago a partir deste janeiro. O benefício foi uma das bandeiras de Lauro durante seus quatro anos à frente da Associação Goiana do Ministério Público (AGMP). Assim que deixou a entidade, o promotor foi direto para o Gabinete de Benedito.
No intuito de se aproveitar do espírito de corpo que ainda grassa no MP-GO, Lauro oferece em uma eventual gestão à frente da PGJ outro benefício, o auxílio moradia, nos moldes ao concedido ao Judiciário de Goiás. A benesse dos magistrados, aprovada pela Assembleia Legislativa e sancionado pelo Executivo, renderá R$ 2,6 mil mensais, mais um inexplicável auxílio-livro, em única parcela anual de R$ 2,1 mil. Contra Lauro, além da associação direta ao grupo de Demóstenes, pesa sua imaturidade. É o mais jovem entre os cinco nomes que devem entrar na disputa.
Oposición
A crise desencadeada com a Operação Monte Carlo fez ressurgir o grupo associado à ex-procuradora-geral Ivana Farina. O nome que carrega a bandeira do grupo é o promotor Mozart Brum. Curiosamente, Ivana pertenceu ao grupo demosteneano, ligação rompida durante a gestão da procuradora. Brum já foi, inclusive, chefe do Gabinete do então procurador-geral Demóstenes, na segunda metade da década de 1990.
Mas não é o vínculo pregresso o principal fator a desabonar Mozart Brum, ele também um ex-presidente da AGMP. Nos 10 anos em que esteve na planície, o promotor se afastou das bases e é um desconhecido, principalmente pelos promotores mais jovens. Nos corredores do MP de Goiás é corrente que Brum não terá os votos que acredita contabilizar.
Marca da profunda influência de Demóstenes no MP durante os últimos 15 anos, o candidato Umberto Machado é outro egresso de seu grupo que se aventura na disputa e que tem crescido muito nos últimos dias. Foi também chefe de Gabinete do ex-democrata, porém quando este ocupou a Secretaria de Segurança Pública de Goiás, cargo que deixou para ascender ao Senado, nas eleições de 2002. Umberto, ao contrário de Lauro, é visto como maduro e acadêmico. Pesa contra si, porém, o fato de ter sido recentemente secretário de Meio Ambiente do governo estadual, função que teve de deixar após ser intimado a reassumir suas funções no MP. Alega-se que, em função da proximidade com o Executivo, não teria condições de fiscalizar o governo na função de procurador-geral.
Outros dois candidatos devem se apresentar para a disputa, embora sem muitas chances. O promotor Deusdete Carnot, uma espécie de anticandidato, que não tem grupo e faz uma campanha independente, quase anárquica. E Waldyr Lara, o único procurador entre os cinco, e que deve se inscrever nos últimos dias do prazo para a apresentação das candidaturas.
