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Carlaile é acusado de compra de voto em Betim

Denúncia foi feita ao Ministério Público Eleitoral (MPE) pela petista Maria do Carmo, que tenta se reeleger; tucano nega acusação e diz que está amparado pela legislação "A legislação eleitoral permite você pagar em dinheiro até R$ 1.064,10 aos cabos eleitorais. É só olhar a legislação. O dinheiro pago aos carroceiros é contratação"

Carlaile é acusado de compra de voto em Betim (Foto: Carlaile)

Minas 247

A prefeita candidata à reeleição em Betim, na Grande BH, Maria do Carmo (PT), denunciou ao Ministério Público Eleitoral (MPE) um esquema de compra de votos por parte de seu adversário direto, o tucano Carlaile Pedrosa.

A acusação dá conta de que ele paga R$ 280 – em duas parcelas de R$ 140 cada, uma neste momento e outra depois das eleições – a carroceiros, em troca de apoio político.

Maria do Carmo protocolou também uma ação de investigação judicial eleitoral no cartório de Betim. Para sustentar a acusação, a equipe de campanha da petista apresentou à Justiça um vídeo que exibe uma correligionária de Carlaile em encontro com carroceiros. Ela retira do envelope um maço de dinheiro. Com uma lista de 98 nomes, faz os pagamentos. Um dos seus auxiliares comenta: "Tem 98 aqui na lista. Mas já pagou 120 pessoas". Alguém lhe explica que naquele local só estão sendo pagos os carroceiros.

Os carroceiros, que têm renda média em Betim de R$ 600 por mês, exclamam ao receber o dinheiro: "Bom que eles estão pagando tudo em dinheiro". Outro retruca: "Já tô bonito na fita com esses R$ 140". Outro indaga, demonstrando desconhecimento de quanto vai receber: "Vai ter mais R$ 140 ou é só este?". Ao que é avisado que haverá outra parcela, de igual valor: "No final da campanha, na vitória do Carlaile". Um dos presentes emenda: "Se Deus quiser". Alguém completa o jogral: "Em nome de Jesus".

"Isso é uma vergonha para Betim. Além da Lei 9.840, de 1999, de autoria popular com o respaldo da CNBB e da OAB, temos hoje a Lei Ficha Limpa", afirma a candidata petista. "Isso é uma truculência, um desrespeito ao eleitor de Betim e à cidade, que não merece isso".

A prefeita disse confiar que a Justiça Eleitoral julgue o caso. "É muito sério. É como se estivéssemos num cantão, em um lugar sem lei. Fico triste, ao mesmo tempo indignada com o desrespeito à cidade e ao eleitor, que tem de parar, comparar e pensar", observa.

Contudo, Carlaile Pedrosa nega a acusação. O tucano atribuiu ao vereador Rener da Pastoral (DEM) a responsabilidade pelo que chamou de "contratação" dos carroceiros. "Ele (o vereador) fez o contrato, tudo certinho, arrumadinho, como a Justiça Eleitoral manda fazer. O vídeo que apareceu é a assessora do Rener fazendo o pagamento para o pessoal", afirmou.

"Isso não é compra de votos. A legislação eleitoral permite você pagar em dinheiro até R$ 1.064,10 aos cabos eleitorais. É só olhar a legislação. O dinheiro pago aos carroceiros é contratação", afirmou.

Questionado se não considera grave a acusação, Carlaile retrucou: "Por que é grave? Grave porque apareceu um vídeo da assessora? Alguém se infiltrou e gravou. Agora não sei, não estava lá. O que sei é que ele (o vereador) pode contratar em dinheiro e pagar. Ele está dentro da lei, pode fazer o que quiser. Ele contratou as pessoas e pode pagar em dinheiro. Contratou em duas parcelas", concluiu.