CPI Delta/Cachoeira: uma pizza à moda goiana?
Sem suporte legal para investigar relação da empreiteira Delta com prefeituras e sem vontade política (de ambos os lados) de apurar relação de autoridades locais com Carlinhos Cachoeira, comissão goiana, a exemplo da irmã do Congresso, também caminha para terminar de forma melancólica; relatório do deputado Talles Barreto (PTB) será apresentado no dia 26 de fevereiro e votação acontece em 5 de março
Goiás247_ Reunida na manhã desta terça-feira (5), a CPI Delta/Cachoeira da Assembleia Legislativa do Estado de Goiás não deve colher mais nenhum depoimento ou promover qualquer pedido de informações. Foi aprovado um calendário em que o deputado relator Talles Barreto (PTB) apresentará o texto final da comissão no dia 26 de fevereiro. A votação do parecer ficou para 5 de março.
Criada para investigar as relações do contraventor Carlinhos Cachoeira com autoridades públicas em Goiás e da empreiteira Delta com prefeituras, a CPI foi suspensa em agosto depois que uma liminar impediu a divulgação e análise de dados relativos a contratos celebrados entre a construtora e as administrações municipais de Catalão, Goiânia, Anápolis e Aparecida de Goiânia, cidades então administradas por partidos de oposição à base do governo estadual na Assembleia. A CPI recorreu, mas em janeiro o Tribunal de Justiça manteve a decisão.
Para Barreto, a CPI já se arrasta há muito tempo e fica prejudicada por causa da decisão judicial. Segundo o relator, as investigações constataram que mais de 95 % dos contratos firmados pela Delta em Goiás eram com prefeituras, e que muitos documentos serão direcionados ao Ministério Público (a exemplo da CPMI do Congresso).
Para o deputado Tulio Isac (PSDB), a CPI da Assembleia não poderá ser comparada à CPMI do Congresso que, segundo ele, existiu apenas para perseguir políticos de oposição ao governo federal. "O que fica são inúmeras perguntas sem resposta devido ao impedimento para investigar prefeituras do Estado" O mesmo argumento, porém, é utilizado pela oposição local para desqualificar a CPI da Assembleia, que estaria a serviço da situação no Estado.
O vice presidente Mauro Rubem (PT) afirmou na reunião de hoje que a comissão se encontra numa encruzilhada, pois não pode ter o mesmo desfecho “trágico” da CPMI instalada em Brasília. O petista entende que a liminar limita o trabalho dos deputados membros, mas que este não é o único objetivo da comissão. “Existe a possibilidade de se investigar procuradores do Estado, o próprio Carlos Cachoeira, Edvaldo Cardoso (ex-presidente do Detran-GO), Walter Paulo (proprietário da Faculdade Padrão), entre outros”, afirma.
Mauro Ruben não cita, contudo, que a manutenção da CPI pode redundar na convocação de influentes políticos do PT e do PMDB que em algum momento mantiveram contato com a Delta e com Cachoeira, que despachava de uma sala na sede da empreiteira em Goiânia. No dia 14 de janeiro, o próprio Cachoeira, em tom de ameaça, declarou que, se intimado, compareceria à CPI para prestar depoimento. Leia mais aquí. No dia 12 de dezembro, logo após deixar o presídio da Papuda, Cachoeira disse que falaria tudo o que sabe e que era "o Garganta Profunda do PT". Leia mais aquí. A ameaça ainda não se concretizou.
O presidente da CPI, Helio de Sousa (DEM), discordou de Mauro Rubem. Para ele, se a CPI encerrar os trabalhos neste momento, não terminará desmoralizada, uma vez que as atividades ficaram suspensas em virtude de liminar que impediu a continuidade das mesmas. (Con información de la Agencia de la Asamblea)
