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Dora Kramer vê Campos decolar para presidência

Colunista do jornal O Estado de S.Paulo descreve as estratégias do governador de Pernambuco, que, em plano local, já entrou na eleição reconciliado com o senador Jarbas Vasconcelos e, no nacional, "desfila de braço dado" com Lula; segundo ela, trata-se de "tempo de semeadura"

Dora Kramer vê Campos decolar para presidência

SS 247 – Colunista do jornal O Estado de S.Paulo, Dora Kramer vê o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, já como candidato à Presidência da República em 2014. Todas as ações do presidente do PSB que vêm sendo tomadas até agora "por ora significa que é tempo de semeadura", segundo a jornalista.

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Na cabeceira da pista

Candidato a presidente, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, ainda não é, mas está no páreo e deixa isso muito claro: avisa aos navegantes que não tem "temperamento para vice" enquanto pavimenta o terreno com base na arte de fazer amigos e influenciar pessoas.

Não cria conflitos, trabalha para dirimir os existentes e só coleciona os contenciosos absolutamente necessários. Um exemplo é a tênue, porém picante, tensão com o PT de cuja órbita procura distanciar o PSB.

No plano local, já entrou na eleição reconciliado com o senador Jarbas Vasconcelos, adversário durante 20 anos. Quando saiu dela vitorioso no primeiro turno em Recife, tratou logo de pedir desculpas aos que "eventualmente tenha ofendido" no calor da disputa.

Na cena nacional, desfila de braço dado com o ex-presidente Lula, reafirma os laços com a presidente Dilma Rousseff, confere substância ao PSD de Gilberto Kassab, já é visto como objeto de desejo no PMDB e cultiva as melhores relações com o PSDB.

Dividiu vitória com Aécio Neves em Belo Horizonte e recebe mensagens constantes de interlocutores de Fernando Henrique Cardoso a quem confere toda deferência.

Qué significa todo esto?

Por ora significa que é tempo de semeadura.

Não se consegue obter de Eduardo Campos uma resposta precisa sobre prováveis alianças nem sobre nada que diga respeito ao seu futuro político.

Em parte porque ele mesmo não tem respostas precisas, em parte porque não lhe é conveniente revelar o conteúdo de certas tratativas.

O governador capta as mensagens e decodifica.

Para ele, no momento o PSDB joga - "com acerto, do ponto de vista da oposição" - na cizânia da base governista e atua para abrir espaço na tropa que em tese estaria unida para sustentar a reeleição de Dilma, em 2014.

Nesse caso, o PSB seria um ótimo parceiro por dois motivos: representaria a "renovação" com mais eficácia que o PSDB - desgastado depois de oito anos de Presidência e outros tantos de embate com o PT - e tem em Pernambuco um porto seguro no Nordeste.