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Gabrielli não desmente ser o preferido de Wagner

"Não vou dizer que tem ou que não tem fundamento", disse o secretário do Planejamento da Bahia em entrevista exclusiva ao 247; petista comentou ainda o polêmico comentário que fez em seu Facebook sobre a escolha do eleitor de Salvador por ACM Neto (DEM) e negou que tenha ameaçado o prefeito eleito; "tudo o que eu disse está escrito"; explicou o momento econômico da Bahia e fez boas previsões sobre os próximos anos; leia na íntegra

Gabrielli não desmente ser o preferido de Wagner (Foto: Divulgação)

Rómulo Faro - Bahía 247

A Bahia vive um momento econômico positivo e expectativa para os próximos anos é animadora. Quem afirma é o secretário do Planejamento do Estado, José Sérgio Gabrielli.

Em entrevista exclusiva ao Bahia 247, o ex-presidente da Petrobras apontou crescimento do estado acima da média nacional, parabenizou a política econômica da presidente Dilma Rousseff e explicou o efeito do veto presidencial ao projeto que prevê partilha igualitária dos royalties do petróleo entre estados produtores e não produtores.

Sobre sua possível candidatura ao governo do estado em 2014, Gabrielli despistou o fato de ser considerado o candidato de preferência do governador Jaques Wagner e defendeu que o chefe do Executivo mantenha a unidade na base. Mas deixou no ar as especulações de ser o candidato da preferência de Wagner. "Não vou dizer que tem ou que não tem fundamento".

Sobre o polêmico balanço que fez das eleições municipais em seu Facebook, sobre a vitória do democrata ACM Neto, o secretário negou que tenha feito 'ameaças', disse que assina embaixo de tudo o que falou na oportunidade e garantiu também que está pronto para o primeiro encontro com o prefeito eleito.

Apesar de criticar o "conservadorismo" do DEM, Gabrielli disse que "até agora" ACM Neto está "se comportando como um administrador que tem vontade de trabalhar pela cidade".

Vea la entrevista completa.

Bahia 247 – Como o senhor define o momento econômico da Bahia?

A Bahia está vivendo um momento muito positivo a curto e a longo prazo. Por que a Bahia está vivendo um momento muito positivo o curto prazo? Porque nosso comércio, nossos serviços e nossa construção civil estão bombando. Nós estamos crescendo a taxas muito elevadas nesses três setores. Evidentemente nós temos dificuldades na área da agricultura por causa da seca, mas compensada parcialmente pelos grãos do Oeste, que são beneficiados pelo preço internacional, e temos aí problemas na área da indústria em função da crise da indústria nacional que é consequência da crise internacional. Então do ponto de vista da atividade econômica, nós estamos com a atividade econômica em alto crescimento. Nosso PIB está crescendo em torno de 3% ao ano e o PIB brasileiro está crescendo em torno de 0.6%. Nós estamos crescendo cinco vezes mais rápido do que o Brasil em 2012. De médio e longo prazo nós temos ainda mais expectativa positiva. Se olharmos, por exemplo, os investimentos previstos para os próximos cinco anos no setor privado... Nós temos hoje mais de 73 bilhões de reais de investimentos anunciados para os próximos cinco anos. 50% desses investimentos são na área de mineração e energia eólica e 10% na área de celulose. Portanto 70% dos investimentos privados estão fora da Região Metropolitana de Salvador (RMS), em regiões que tiveram ritmo de investimentos menor no passado. Significa que nós não somente temos a perspectiva de grandes investimentos como temos a perspectiva de desconcentração do crescimento do estado. Os investimentos públicos previstos para os próximos cinco anos giram em torno de 17 bilhões de reais. Aí entra o Porto Sul, entra a Fiol, entra a recuperação dos portos (de Aratu, Salvador), recuperação dos aeroportos, expansão da rede de banda larga, da fibra ótica, entra aí a recuperação do (rio) São Francisco, as plataformas logísticas do interior do estado, a construção de novos equipamentos para a segurança pública, entra aí a expansão da rede de atendimento da saúde. Você tem aí um conjunto de investimentos públicos feito pelo governo estadual, pelo governo federal e pelos governos municipais. Estamos falando, portanto, em investimento de quase 100 bilhões de reais para os próximos cinco anos.

- O nordeste é mesmo a 'China brasileira'?

Mas por que está tendo tudo isso? Isso está ocorrendo porque o grande dinamismo da economia nordestina e da economia baiana é o mercado interno e o mercado interno está ativado porque estamos recebendo um volume gigantesco de transferência para os domicílios diretamente da casa das pessoas, portanto as famílias estão recebendo transferências muito grandes e as famílias gastam e ativam a economia local. É isso que nós estamos vivendo neste momento. A economia está crescendo e a perspectiva de crescimento é grande. Isto é inevitável? Não. Tem riscos? Tem. Principalmente pela dificuldade de implantar os investimentos no tempo adequado, as dificuldades de modificar a infraestrutura, as dificuldades de licenciamento, as dificuldades de começar execução com projetos ainda em fase não muito maduras. Tudo isso leva a risco, mas toda situação de risco leva também a oportunidades.

E o momento econômico do país?

Eu acho que a política econômica da presidenta Dilma é correta na medida em que ela busca reduzir a taxa de juros, que ela busca uma intervenção na gestão do câmbio, de forma que o câmbio não tenha um efeito deletério e na medida em que ela procura desonerar o custo tributário de setores que são altamente empregadores na mão de obra e que podem estimular o crescimento. Nesse sentido, é uma política macro econômica correta para atender a crise atual, é uma política expansionista, é uma política que visa estimular o crescimento da economia, principalmente considerando que nós temos pouca restrições hoje na questão do acesso a reservas internacionais. Isso não quer dizer que essa política não precisa de alguns ajustes, particularmente no que se refere a questão federativa. Essa política é assimétrica em termo de seus efeitos sobre os diversos estados e sobre as diversas regiões. Para os recebedores de fundos de participação estaduais por exemplo, essa é uma política que reduz as transferências e cria um agravamento da situação fiscal dos estados e municípios que recebem recursos.

O que vai acontecer com a Bahia em 2013?

Acontece com a Bahia e acontece com os municípios em geral. A Bahia não é dos estados que mais recebem FPE. As transferências governamentais para a Bahia estão hoje próximas de 40% da receita. É importante, porque 40% são 40%, mas não é como em outros estados onde isso chega a 50%, 60%, ás vezes mais do que isso para a receita corrente estadual. Portanto, os efeitos são diferenciados com essa política tributária do governo. Os efeitos da política cambial são genéricos, são mais ou menos generalizados, inibe certo crescimento na área de exportação, mas nós temos também capacidade de ajustar a política federativa com mecanismos de compensação. Você tem aí a expansão do fundo de desenvolvimento regional, tem a possibilidade de desoneração dos impostos, tem a discussão sobre a redefinição das taxas de juros que os estados pagam à União.

Qual o impacto do veto do projeto dos royalties na Bahia?

O veto da presidente retoma uma situação anterior de concentração dos royalties na mão no Rio de Janeiro e do Espírito Santo. A discussão que há no Congresso hoje é de buscar encontrar um meio termo entre o que estava na lei que distribuía radicalmente os royalties para os estados não confrontantes para uma situação intermediária para que esse processo ocorra ao longo do tempo para que Rio de Janeiro e Espírito Santo se adaptem a uma redução do crescimento da receita com os royalties. Acho que o caminho seria procurar o meio termo. A Bahia recebe de royalties recursos em torno de 270 milhões reais por ano. Com a lei (sem o veto), sairia daí para em torno de 500 a 700 milhões.

O senhor ameaçou ACM Neto pelo Facebook ao comentar o resultado das eleições?

Está escrito e o que está escrito não é nada disso. Está escrito exatamente o que está acontecendo. Eu dizia naquele texto, e você pode recordar porque ele é público, que se a postura do prefeito fosse uma postura de confronto, como era na gênese, na origem do Democratas, nós teríamos dificuldade de implementar os necessários projetos a serem feitos pelo governo do estado no município. O prefeito está demonstrando até agora uma postura de administrador que quer fazer e implementar os projetos. O que eu falei antes não tem nenhuma ameaça. Não foi nem uma fala, está escrito. É só reler o que está escrito.

Já tem algum encontro marcado com o prefeito?

Não. Eu pessoalmente, não, mas posso ter. Não tenho nenhum problema de ter encontro com o prefeito. Terei encontro com o prefeito quantas vezes for necessário para implementar projetos de interesse de Salvador. Não tem nenhum problema quanto a isso. Temos de imediato aí, por exemplo, o carnaval. É impossível ter carnaval sem cooperação com o governo do estado. Temos o metrô, que também é impossível sem o governo do estado. Tem ainda aí recuperação de áreas de macro drenagem, temos Copa do Mundo, Copa das Confederações.

Cajazeiras terá metrô?

O conceito do metrô nosso é um metrô que tem que combinar e funcionar articuladamente com vários modais. Nós vamos ter um metrô que vai ser alimentado nas estações, por linhas de ônibus convencionais e pelo modelo BRT. Estamos pensando em desenvolver a avenida 29 de março, que vai ligar a Paralela a Cajazeiras, e numa fase posterior provavelmente nós vamos precisar expandir a linha de metrô até Cajazeiras para viabilizar uma integração maior. Mas nesse momento o problema principal não está na integração com Cajazeiras. O principal agora é integrar a linha 1 com a linha 2 do metrô. Esse é o problema. E aí você tem a conexão da linha 1, que vai acabar em Pirajá, com a conexão até Lauro de Freitas.

¿Y 2014?

2014 é depois de 2013 (risos).

Mas há quem diga que sua candidatura é certa...

Tem tanta coisa para fazer, tem tanta coisa para acontecer em 2013... 2014 depende muito de 2013. O que é que vai acontecer com o governo federal? O que é que vai acontecer com o governo estadual? Como é que vai estar a economia? Como vão estar as relações na base política do governo? Como é que vai estar a nova composição do estatuto do PT? Qual o impacto efetivo que o mensalão tem sobre os eleitores? Como é que os movimentos sociais vão se comportar em 2013? Te m várias incógnitas aí e é muito difícil falar de 2014 agora.

Dizem que o senhor é o candidato de preferência do governador

Não vou dizer que tem ou que não tem fundamento. O governador não pode ter candidato nesse momento. Ele tem que ter vários candidatos. Ele não pode ter um candidato. Ele tem que ter vários candidatos, inclusive de outros partidos.