Goiana tem o biotipo que mercado do sexo busca
Reunida em audiência pública na Assembleia Legislativa, CPI do Tráfico de Pessoas discute situação no Estado. Adjunta da Secretaria Municipal Especial de Políticas para as Mulheres de Goiânia, Teresa Cristina Nascimento Souza apresentou levantamento indicando que, pela ordem, os municípios goianos de Uruaçu, Trindade, Silvânia, Rianápolis, Paraúna e Nerópolis são os que mais abastecem os esquemas criminosos de prostituição no exterior
A CPI do Tráfico de Pessoas realizou nesta quarta-feira (7) na Assembleia Legislativa uma audiência pública para debater estratégias de combate ao tráfico humano. A reunião serviu para mostrar que Goiás está no centro deste problema que assola o Brasil. Os municípios goianos de Uruaçu, Trindade, Silvânia, Rianápolis, Paraúna e Nerópolis são os que mais abastecem os esquemas criminosos – de acordo com pesquisa da Secretaria Municipal Especial de Políticas para as Mulheres de Goiânia.
O levantamento apresentado pela secretária-adjunta da pasta, Teresa Cristina Nascimento Souza, foi realizado entre 2008 e 2010. Tereza fez uma afirmação curiosa durante o debate: “Infelizmente a mulher goiana tem o biotipo requerido pelo mercado.”
A delegada-geral da Polícia Civil de Goiás, Adriana Accorsi, disse que as crianças abandonadas pelos pais que se prostituem fora do País são mais vulneráveis à exploração sexual. De acordo com a delegada, a subnotificação é também outro fator que acontece nestes casos. “Nós da Polícia Civil temos contato direto com o dia a dia, assim, podemos dizer que a subnotificação ocorre por vergonha das vítimas, medo das represálias e até mesmo porque muitas famílias concordam e favorecem a ida de homens e mulheres para se prostituirem em busca de uma vida melhor.”
Em sua 26ª audiência pelo País, a CPI tem como objetivo conscientizar, debater e propor formas de combate, até mesmo sugerir novas Leis para a interrupção deste crime, que atinge cerca de quatro milhões de pessoas em todo planeta, principalmente voltada para o mercado de prostituição e pedofilia, com ramificações ainda para o tráfico de órgãos e de pessoas para o trabalho escravo.
O presidente da CPI, Arnaldo Jordy ressaltou os desafios da Comissão. “O primeiro é a mudança radical na legislação brasileira, o segundo é emparelhar o Estado melhor para que tenha mais consciência do processo; e em terceiro, divulgar mais para a sociedade para que tenha consciência do problema que movimenta o hoje mais de 35 bilhões de dólares por ano no mundo”, explicou o deputado.
Segundo ele, a ausência de um cadastro e uma sistematização do número de vítimas do tráfico prejudica o trabalho da Comissão. “Essa é uma fragilidade do nosso sistema para centralizar ou registrar todos esses casos no Brasil”, ressaltou.
O deputado estadual goiano Mauro Rubem disse ser importante a presença da CPI federal no Estado. Segundo o parlamentar, Goiás é um dos Estados que ainda promove várias violações aos Direitos Humanos. “Temos no Estado vários casos de homofobia, machismo, que traduz em violência contra as mulheres, e entre eles o tráfico de pessoas que tem vitimado várias mulheres em Goiás”.
O deputado federal João Campos destacou a importância da imprensa para o trabalho da Comissão, ao ajudar a criar a consciência das pessoas sobre o assunto. “As medidas de hoje vão contribuir substancialmente para um diagnóstico no Estado de Goiás para que, em seguida, indique os caminhos e as medidas a serem adotadas pela CPI”.
A deputada estadual Flávia Morais ressaltou que a audiência vai colaborar para sugerir ações para políticas públicas mais efetivas, além de contribuir para a Comissão. A deputada destacou também a grande participação de representantes de entidades e órgãos do Estado e da sociedade civil organizada na audiência. “Isso traduz a vontade de todos, governo e sociedade, em combater esta grande rede criminosa.”
Após participação dos componentes da mesa, foi aberta a palavra aos presentes para que pudessem expressar suas opiniões, sugestões e relatos acerca do tema. Na oportunidade foram levantadas inúmeras questões relativas ao tema tais como funcionamento, estatísticas e casos reais.
Compuseram a mesa do evento, o presidente da Comissão de Diretos Humanos, Cidadania e Legislação Participativa da Casa, deputado Mauro Rubem (PT); o presidente da CPI da Câmara Federal, deputado federal Arnaldo Jordy (PPS-PA), a relatora da CPI, deputada federal Flávia Morais (PDT); e o membro da Comissão, deputado federal João Campos (PSDB).
"Temos um trabalho que envolve uma situação difícil que engloba inúmeros métodos e denúncias de toda ordem, e ainda com uma rede de interesses econômicos envolvidos. Lamentavelmente nem o Estado nem a sociedade está aparelhada para enfrentar esta situação. Portanto o objetivo desta CPI é justamente colaborar para diminuir estas dificuldades", finalizou o presidente da CPI, Arnaldo Jordy.