Heitor personaliza disputa com os "Ferreira Gomes" na pessoa de Cid
O posicionamento político ideológico de um partido pouco interessa aos políticos para escolher sua legenda. Na maioria das vezes é o projeto pessoal que conta mesmo. Até com políticos considerados "sérios" a lógica é a mesma. É o caso do deputado Heitor Férrer que diz não ter problema de conviver, no PDT, com Ciro Gomes, mas sim com o ex-governador Cid Gomes e seu grupo. Ora, o "grupo de Cid" é liderado por ele e Ciro Gomes. Fica claro que Heitor Férrer pouco analisou a possibilidade de convivência partidária democrática, em torno de um projeto para Fortaleza, mas sim, seu interesse pessoal de disputar a prefeitura, que é o que conta mesmo, no final das contas, para a maioria dos políticos
Ceará 247 - A filiação do deputado Heitor Férrer ao PSB continua sem data marcada. Em entrevista ao portal Tribuna de Ceará, Heitor volta a dizer que é candidato a prefeito de Fortaleza e que sua filiação está condicionada à entrada de Cid Gomes no PDT. Mas, o mais interessante da entrevista de Heitor é que ele personalizou a disputa política com o grupo na pessoa do ex governador Cid Ferreira Gomes e não ao grupo. Segundo Heitor Ferrer, não há problema com a filiação com Ciro Gomes, com quem ele diz não ter problema de convivência. "O Ciro, isoladamente, eu não teria problema em conviver". Com isso, Heitor Férrer aponta claramente que não há uma divergência ideológica com o grupo político dos Ferreira Gomes, do qual Ciro é o principal mentor, juntamente com Cid.
Heitor também deixa claro que seu projeto pessoal de disputar à prefeitura de Fortaleza rege sua saída do PDT. "E nessa entrada tem o principal: o prefeito Roberto Cláudio. Ele simplesmente me tira da pretensão de ser candidato do meu partido à Prefeitura de Fortaleza. Esse grupo entra e eu saio. Eu só posso sair se o grupo entrar. Isso tudo está previsto para dia 28 de setembro [de 2015]". E declara a sua mágoa com o PDT. "Todos os partidos me querem, menos o PDT, que preferiu os Ferreira Gomes".
A posição de Heitor Férrer é um claro reflexo da importância que a maioria dos políticos dá aos partidos e sua eventual posição ideológica e a pouca organicidade das agremiações. Os Ferreira Gomes que já transitaram por vários partidos, são também um exemplo claro disso. A cada eleição o intercambio intercambio de partido se repete sem qualquer esperança de uma reforma política séria que estabeleça regras para filiação partidária que possam apontar para o eleitor uma perspectiva de projeto. A personalização da política é talvez, um dos maiores problemas do pouco conhecimento dos eleitores do espectro ideológico dos seus representantes ou dos partidos. No Brasil, se transita da extrema esquerda à extrema direita com a maior desenvoltura, como se a ideologia fosse algo de somenos importância.