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João, assuma suas responsabilidades. Os problemas são seus!

Se a questão é mais espinhosa e a solução é complexa, o prefeito de Aracaju logo trata de encontrar culpados, para tentar manter intocável sua imagem positiva diante do povo; foi assim com o aumento da passagem (passou o pepino para os vereadores; está sendo assim com a greve dos médicos (culpa a categoria por mortes) e também com a obra de contenção do avanço do mar na Beira-Mar (tenta encurralar a Adema); no quinto mês da administração, João ainda não tem marca; onde estão as soluções?

João, assuma suas responsabilidades. Os problemas são seus!

Valter Lima, de Sergipe 247 – Diante de questões mais espinhosas da administração, o prefeito João Alves Filho (DEM) tem tentado repassar a responsabilidade para outros. Foi assim na discussão do reajuste do transporte público e está sendo agora com a greve dos médicos e com a polêmica em torno da obra de contenção do avanço das águas na Avenida Beira-Mar. São problemas que ele precisa enfrentar, mas que podem causar desgaste na imagem. Por isso, João recua.  

Hoje é o 15º dia do quinto mês da administração do líder do DEM sergipano em Aracaju, mas a nova administração ainda não estabeleceu uma marca. É bem verdade que há ações positivas. A mais bem sucedida delas é o programa “Prefeitura nos Bairros”. Há também a desativação do lixão do Bairro Santa Maria e a reforma das praças mais importantes do Centro da cidade, além da inauguração de algumas obras deixadas pelo antecessor.

No entanto, não foram cumpridos dois prazos definidos pelo novo prefeito para a liberação da ponte que liga os bairros Inácio Barbosa e Farolândia (que iria ocorrer em 17 de março) e a reforma do colégio Getúlio Vargas (que seria entregue em 1º de maio). Além disso, pelo cenário atual, dificilmente, se terá uma saúde pública municipal melhor em junho, quando ele prometeu apresentar os primeiros resultados positivos.

E por falar em saúde, que é a demanda mais urgente da população, João tentou responsabilizar os médicos, em greve há mais de 20 dias, pelos problemas da pasta. Exagerou ao afirmar que eles seriam os culpados pelas mortes ocasionadas em detrimento da paralisação. Falou que abriu o diálogo e que foi ignorado. Estranhamente, o prefeito se esquece de que foi ele mesmo quem prometeu aos médicos uma atenção maior do que a que seria dispensada aos demais servidores municipais. E não o fez.

Sobre a obra da 13 de Julho, João tenta culpar a Administração Estadual do Meio Ambiente (Adema) por na permitir uma ação de engenharia na área. O órgão estadual pede um estudo de impacto ambiental, que já foi considerado necessário pela Justiça de Sergipe, diante da tentativa do atual prefeito de aterrar o rio em 40 metros. Doutores da Universidade Federal de Sergipe (UFS) também protestaram contra a obra. Mas para João, isto não tem valor. O que ele quer é que a obra que planejou seja executada, sem alterações, sem considerar os recursos naturais.

De concreto mesmo, diante de tantos percalços, há que o aracajuano passará a pagar a partir desta quarta-feira (15) uma passagem de ônibus mais cara. Mas sem qualquer melhoria no serviço. Os ônibus continuam velhos. Os atrasos ainda são regra. E a superlotação é opção única para quem precisa do transporte público.

Realmente, cinco meses é um prazo exíguo para solucionar problemas que se avolumam, mas, entretanto, é um período mais que suficiente para dar encaminhamentos de caráter resolutivos para determinadas situações. E é justamente isto que está faltando ao prefeito de Aracaju.