MPF vai investigar escândalo da merenda
Vereadores Elias Vaz (PSB), Djalma Araújo (SDD) e Tatiana Lemos (PCdoB) entregaram ao procurador do Ministério Público Federal, Hélio Telho, um resumo das denúncias de irregularidades na compra e repasse da merenda escolar na rede municipal de Goiânia; prefeitura de Paulo Garcia (PT) é atingida por escândalo que já revelou desvio de 64 toneladas de carne bovina; alimentos comprados pela Secretaria Municipal de Educação não eram entregues em sua totalidade às escolas; Djalma mostrou que estudantes estavam comendo apenas arroz e feijão na merenda
Goiás 247 - Os vereadores Elias Vaz (PSB), Djalma Araújo (SDD) e Tatiana Lemos (PCdoB) entregaram na tarde de sexta-feira ao procurador do Ministério Público Federal, Hélio Telho, um resumo das denúncias de indícios de irregularidades na compra e no repasse da merenda escolar na rede municipal de Goiânia.
São cinco volumes que contam todo o processo investigado por Elias Vaz desde junho, incluindo os relatórios encaminhados pela Secretaria Municipal de Educação e pelas escolas, notas fiscais de 15 contratos firmados para fornecimento da merenda e auditoria feita pela própria prefeitura que revela um rombo de 64 mil quilos de carne bovina. “Pelo que foi informado até agora pelos vereadores, há indícios suficientes para abrir um inquérito e iniciar a investigação”, afirmou Telho. Além dele, há outros dois procuradores na área de combate à corrupção. O processo será distribuído e ainda não é possível dizer quem vai conduzir o caso.
Os vereadores também anexaram à representação um DVD com cópia da gravação do depoimento à CCJ, na última quarta-feira, do ex-chefe do Departamento de Alimentação Educacional, Wesley Batista. Ele admitiu irregularidades. “Nem o relatório das escolas bate com o nosso relatório. É interessante, mas não bate... Nada bate”. Wesley e outros quatro servidores municipais foram afastados e respondem a processo administrativo por decisão da Comissão Especial criada pela prefeitura depois das denúncias de Elias Vaz.
“Fica claro para nós que houve desvios, que algo de muito grave vinha acontecendo no setor de compra e repasse da merenda. O dinheiro vem do governo federal, com contrapartida do Município. Por isso, o MPF tem a responsabilidade de apurar o que realmente está acontecendo, se for preciso até pedindo a quebra de sigilo bancário dos funcionários responsáveis pelo setor e de empresários. O que não pode continuar é a situação atual, em que falta comida nas escolas enquanto as notas fiscais mostram que a prefeitura pagou pelos produtos”, destaca Vaz.
Além do rombo de 64 mil quilos de carne bovina, o vereador já identificou problemas no repasse de pelo menos mais quatro produtos: pão mandi, pão de milho, biscoito de polvilho e bolo de baunilha. “Só nesses quatro exemplos, a prefeitura gastou R$ 3 milhões”, denuncia.
Segundo notas fiscais encaminhadas pela Secretaria Municipal de Educação, a prefeitura comprou 1.532.212 unidades de bolo de baunilha e só 53.639 (3,5%) chegaram às unidades em um período de seis meses e apenas 30.898 pacotes de 50 gramas de biscoito de polvilho (2,6%) de um total de 1.186.182 adquiridos pelo Município foram repassados às unidades. A empresa que deveria ter fornecido os produtos nem existe mais. A Indústria de Panificação Pollypão, nome fantasia Pollypão Salgados e Quitandas, fechou as portas.