Onyx Lorenzoni promete nominar coveiros da CPI
Democrata gaúcho diz que não faz ameaças, mas que é gravíssima a tentativa de blindar envolvidos ou reduzir a investigação dos esquemas do contraventor Carlinhos Cachoeira: “Vamos nominar cada um que atuou para impedir a investigação”; para ele, caso traz à luz da opinião pública o maior esquema de desvio de verbas públicas já flagrado no Brasil; parlamentares só vão decidir por quanto tempo a comissão será prorrogada em reunião no dia 30 de outubro
Goiás247_ O deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS) diz que não é ameaça. Mas afirmou que dará o nome de cada um dos parlamentares que atuarem para sepultar a CPMI do Cachoeira no Congresso Nacional. O parlamentar publicou em seu blog comentário sobre reportagem do Portal Terra, onde é relatada a suposta ameaça. Ainda assim, o democrata afirma que a matéria alerta para uma situação gravíssima: “A de tentar-se blindar, ou reduzir, a CPMI do Cachoeira, que está trazendo a luz da opinião pública o maior esquema de desvio de verbas públicas já flagrado no Brasil”.
Veja o texto do blog de Lorenzoni e, na sequência, a reportagem do Terra.
Não estou ameaçando ninguém, esta leitura fica por conta do redator da reportagem, que é muito oportuna, pois alerta para uma situação gravíssima; a de tentar-se blindar, ou reduzir, a CPMI do Cachoeira que está trazendo a luz da opinião pública o maior esquema de desvio de verbas públicas já flagrado no Brasil, me refiro ao esquema de Cachoeira-Cavendish, que usou a Delta e o DNIT para rapinar os cofres públicos. Este esquema, pelo que podemos avaliar até agora, já desviou mais de R$ 420 milhões para empresas laranja ligadas a Delta, isto faz o Valerioduto e o mensalão parecerem coisa de trombadinha. Não podemos permitir que se blinde altos escalões da administração federal envolvidas com os devios da Delta. 98,9% do faturamento da Delta é dinheiro do Governo Federal e dinheiro dos Estados, isto é dinheiro público. Por exemplo, o DNIT, de 2007 para cá, desde que assumo o Sr. Luiz Antônio Pagot, a Delta em alguns anos dobrou e até triplicou seu faturamento. Se juntarmos as maiores empreiteiras do Brasil, Camargo Correia, Andrade Gutierrez, Queirz Galvão, OAS, que não são empresas pequenas, são gigantes não apenas nacionais mas também internacionais, estas 5 somadas são superadas pela Delta em três vezes no recebimento de verbas do DNIT.
Segue a importante reportagem escrita por Melissa Bulegon para o Terra.
Onyx ameaça quem tentar parar CPI: ‘vamos nominar cada um’
A biografia dos políticos envolvidos na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) mista do Cachoeira está em jogo. A afirmação é do deputado federal Onyx Lorenzoni (DEM-RS), que critica o possível acordo entre o PMDB e o PT para encerrar ou estender a comissão, por no máximo, 30 dias. Integrantes das duas legendas estariam temerosos com possíveis “respingos” das investigações. “Se esse acordão, que sem dúvida nenhuma foi tentado, impedir que a CPI se prolongue por um tempo razoável nós vamos levar o caminho mastigadinho para o Ministério Público para que faça a investigação. Isso vai ser a desmoralização do Congresso Nacional e dos partidos que vão fazer esse acordão porque os dados estavam todos lá, só não foi adiante porque um grupo de deputados e senadores, e aí nós vamos nominar cada um que atuou para impedir a investigação”, ameaçou Onyx, um dos integrantes da CPI.
Os parlamentares só vão decidir por quanto tempo a comissão será prorrogada em reunião no dia 30 de outubro, após o segundo turno das eleições. O plano B de encaminhar o caso ao MP para evitar que tudo “acabe em pizza” está sendo arquitetado pelo grupo dos chamados parlamentares “independentes” – entre eles os deputados Rubens Bueno (PPS-PR), Miro Teixeira (PDT-RJ) e Onyx; e os senadores Pedro Taques (PDT-MT) e Randolfe Rodrigues (PSOL-AP).
Embora o tempo a ser prorrogado ainda não tenha sido definido, o foco das investigações no prazo extra já está sacramentado: esmiuçar o esquema criminoso – apelidado de deltaduto – que tem como protagonistas Carlinhos Cachoeira e o dono da empreiteira da Delta, Fernando Cavendish. “O mensalão que está sendo julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) envolveu R$ 150 milhões. Nós já identificamos de que a Delta transferiu para empresas laranjas algo na ordem de R$ 400 milhões. Estamos atrás do maior esquema de roubo de dinheiro público que se tem notícia no Brasil nas últimas décadas. O mensalão vai virar coisa de moleque”, comparou o deputado do DEM.
Para o parlamentar, o ideal seria estender o prazo da CPI em, no mínimo, 120 dias. “A prorrogação é imprescindível para que a gente consiga a quebra do sigilo bancário de 12 empresas que nós suspeitamos que sejam laranjas e que vão poder nos ajudar a identificar qual foi o destino desse dinheiro porque as sete empresas que quebramos já nos mostram que houve de maneira inequívoca um esquema característico de lavagem de dinheiro”, afirmou o democrata. “É um dever do Congresso investigar até onde chegou o conluio Carlinhos Cachoeira e Cavendish. Até onde a rapinagem de recursos públicos se confirma. Até onde houve favorecimento, corrupção ativa e passiva, formação de quadrilha e peculato”, reforçou.
Pelas apurações levantadas até o momento, a atuação do deltaduto atinge várias regiões do País. A Delta, por exemplo, recebia recursos de um Estado ou do governo federal e repassava para quatro, cinco outras contas bancárias antes de enviar o montante para uma laranja. “O dinheiro toma dois ou três tombos dentro da própria empresa, exatamente para fazer uma mistura e não ter como ser rastreado. Isso se faz para esconder que está se lavando dinheiro. Não se trata se um achado usual. É uma normativa de procedimento”, explicou Onyx.
A descoberta da ação de Cachoeira – e, posteriormente, a sua ligação com Cavendish – sobre dinheiro público é consequência das investigações Monte Carlo e Vegas da Polícia Federal (PF) que desvendaram o esquema de jogo do contraventor. Nessa nova fase, a CPI quer confirmar também a suspeita de recursos obtidos com obras e contratos sem licitação ou fraudes nas concorrências. “Nós temos hoje indícios claríssimos de como esse processo se deu. Inclusive há que se explicar como a Delta, no período do Pagot (Luiz Antônio, ex-diretor do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte – Dnit), se transformou de uma empresa inexpressiva para uma que chegou a ter o triplo dos recebimentos do Ministério dos Transportes do que as cinco maiores empreiteiras do brasil somadas”, disse.