Perspectiva é de fechar no azul
Bolsa deve continuar subindo nos próximos meses. Veja carteiras recomendadas para outubro
Luciane Macedo _247 - A Bolsa deve continuar subindo nos próximos meses e as perspectivas são de fechar 2012 no azul. O Ibovespa encerrou setembro com alta de 4,2%, perdendo apenas para o ouro, que valorizou 4,55%, como o melhor investimento do mês. Para outubro, como a economia global ainda inspira cautela, as recomendações dos analistas se voltam para empresas focadas no mercado nacional (infraestrutura, consumo, varejo), além de Petrobras, Vale e Gerdau (veja abaixo).
"A volatilidade ainda está grande e as perspectivas não são das melhores, mas não tem nada forte o suficiente para levar o Ibovespa a um resultado negativo no fim do ano", comenta Antonio Carlos Góes, analista chefe da TOV Asset Management. "A perspectiva é de fechar em alta principalmente por causa das empresas de consumo e às ligadas aos investimentos em infraestrutura, além da Petrobras, que está voltando a um desempenho melhor neste último trimestre".
Uma pesquisa da Reuters conduzida com 30 analistas de mercado indicou que o Ibovespa deve avançar até 65 mil pontos e subir 7,4% até o fim de 2012, segundo a mediana das estimativas de todos os consultados.
"Está difícil vislumbrar os 65 mil pontos, a não ser que haja um fato novo que possa estimular o investidor estrangeiro e fazê-lo voltar para a Bolsa", avalia Góes. "Mas acredito que fechamos entre 60 mil e menos que 65 mil pontos".
TOV
Na carteira recomendada da TOV para outubro, Petrobras e Vale se destacam com os mais fortes potenciais teóricos de valorização (ou upsides, em relação a 1º/10), de 87,66% e 77,01%, respectivamente.
"Petro é um papel de uma commodity da qual o mundo ainda depende. A Graça Foster tem trazido a empresa para a realidade, tem feito uma divulgação com bastante seriedade. Acredito que, aos poucos, a empresa vai voltar a ter posição no mercado", justifica Góes.
"A Vale tem que estar em todas as carteiras. Mesmo com todas as idas e vindas, com as notícias boas e ruins, ainda é uma commodity importante", diz o analista. "O que acontece é a questão do preço [do minério de ferro], porque à medida que a China diminui a demanda, o preço cai. Mas, de qualquer maneira, já passou dos US$ 100 [a tonelada] e a Vale acredita que fecha o ano em US$ 120".
Góes cita os bons dividendos da Oi para a recomendação e acrescenta: "A empresa está melhor estruturada dentro do mercado de telefonia e está investindo em 4G". Sobre a Cielo, que entra na carteira este mês, o analista acredita que "há uma tendência que a empresa traga para ela os investidores que estavam na concorrente" -- a Redecard, que fechou capital em setembro e contribuiu para a maior saída líquida mensal (R$ 4,173 bilhões) de investidores estrangeiros da Bolsa desde 2008.
CCR, Randon e B2W Varejo (estas duas entrando na carteira este mês) completam as recomendações da TOV. "A queda de vendas no setor automotivo não deve afetar a Randon em um primeiro momento", avalia Góes. "Consumo e varejo realmente vão puxar o Ibovespa para cima, a demanda de fim de ano vai refletir positivamente no papel da B2W", assinala. Sobre a CCR, papel de infraestrutura, Góes lembra que "a empresa é líder de mercado e tem tudo para ser um dos destaques da Bolsa em 2013 com a proximidade da Copa do Mundo".
Octo
Na carteira Rico.com.vc para outubro, os analistas da Octo Investimentos fazem um meio a meio entre novas recomendações (JHSF, Bradesco, OGX e Taesa) e manutenções (Ambev, Vale, Itaú Unibanco e Gerdau). Na carteira de dividendos, que acumula alta de 17,16% no ano (contra 4,27% do Ibovespa), foram feitas apenas duas trocas, com Valid e Taesa entrando em outubro.
O potencial de upside da JHSF é uma das justificativas para a recomendação de compra, com destaques para "o grande potencial de apropriação de receitas de projetos ainda não lançados, potencial de aumento da renda recorrente da empresa em função dos lançamentos em 2012 e NAV (valor do ativo líquido) considerado pela empresa de R$ 13,61 por ação".
As ações do Bradesco, apesar da leve desvalorização de 1,5% em setembro, acumulam alta de 7,1% no ano. "Recomendamos pela manutenção de sua estratégia de crescimento orgânico e pelo crescimento mais lento das despesas operacionais", dizem os analistas da Octo. "Nesse sentido, o banco poderá enviar perdas em eventual cenário mais negativo ou transformar provisões em lucros com a reversão das mesmas em um cenário positivo".
A OGX é avaliada como um "papel bastante castigado, que sugere um processo lento de recuperação". Os analistas da corretora ressaltam: "Os últimos dados com base nos sistemas de produção programados pela OGX mostraram atrasos no ramp-up da produção da companhia, custos de produção ligeiramente maiores, taxas de fluxo mais baixas e menores volumes na Bacia do Espírito Santo. Esses dados são de suma importância para uma empresa que ainda não é totalmente operacional". E assinalam que "a queda de mais de 50% no ano incorpore a maior parte da reprecificação da empresa e devemos ter um fluxo de notícias melhor no curto e médio prazo".
A Taesa entra nas recomendações para outubro como "uma ótima combinação entre pagamento de dividendos e proteção à inflação".