Preso em AL suspeito de matar produtor cultural no RJ
André Luís dos Santos Vieira, suspeito de matar a pancadas e golpes de chave de fenda o produtor cultural Adriano da Silva Pereira, em julho desse ano, no Rio de Janeiro, foi preso no município de Viçosa, em Alagoas; um delegado e dois agentes de polícia do Rio efetuaram a prisão de André Luís, nesta sexta-feira (11); Adriano foi encontrado morto em um rio depois de sair de casa numa noite de domingo; a Polícia Civil e a família da vítima acreditam que o crime tenha motivação homofóbica
Alagoas247 - Um homem suspeito de homicídio foi preso no município de Viçosa, na manhã desta sexta-feira (11), por agentes da Divisão de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF), do Rio de Janeiro. O foragido André Luís dos Santos Vieira, o "André Chupeta", é suspeito de matar a pancadas e golpes de chave de fenda o produtor cultural Adriano da Silva Pereira, de 33 anos, em julho desse ano, no RJ.
A prisão de André foi realizada com base em um mandado obtido em investigação policial da própria DHBF. Após divulgar a imagem do suspeito na imprensa, a polícia recebeu uma denúncia, por telefone, dando conta de que ele estaria em uma casa no município de Viçosa. Nesta sexta-feira, um delegado e dois agentes de polícia do RJ estiveram no interior de Alagoas e efetuaram a prisão de André Luís.
De acordo com o titular da Divisão de Homicídios da Baixada Fluminense, delegado Fábio Cardoso, a polícia já tinha a informação de que o suspeito teria familiares no Nordeste. Com a denúncia anônima, foi possível localizá-lo.
"O crime aconteceu no dia 6 de julho. Em 12 de agosto, os policiais identificaram o André como o autor do crime. As investigações comprovaram que a motivação do homicídio foi homofobia, pois o suspeito não gostava de homossexual", afirma o delegado.
Agora, os agentes da Divisão de Homicídios da Baixada Fluminense estão adotando as providências necessárias para levar o preso de volta ao Rio de Janeiro, onde ele será indiciado pelos crimes de homicídio duplamente qualificado por motivo fútil. Ele pode pegar até 30 anos de prisão.
Dançarino morto temia homofobia
Adriano foi encontrado morto em um rio depois de sair de casa numa noite de domingo. A Polícia Civil e a família da vítima acreditam que o crime tenha motivação homofóbica. O produtor cultural não tinha vergonha de usar roupas femininas. Artista e produtor, às vezes saía de casa, em Belford Roxo, na Baixada Fluminense, de vestido. "Roupa não tem gênero", costumava dizer aos amigos. Em meio ao perfil comum de mulatas do carnaval carioca, ele foi o primeiro dançarino do bloco Tambores de Olokun.
Frequentemente, Adriano usava maquiagem e esmalte. Por tudo isso, chamava atenção na rua.
Ao sair de casa no domingo, ele foi esfaqueado e espancado no RJ. A família desconfia de motivação homofóbica e, segundo o delegado da Divisão de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF), Fábio Cardoso, esta é uma das linhas investigativas.
"Ele era muito xingado e nós ficávamos preocupados. Ele ria. O corpo era a arte dele. Só uma vez ele pareceu preocupado, vendo reportagens de agressões por homofobia: 'Imagina se acontece comigo', ele me disse", relata o amigo e "irmão de santo" Mazé Mixo.
Adriano morava com a mãe em Belford Roxo, mas tinha um quarto na casa de Mazé, em Nova Iguaçu, onde Mazé mora com a esposa Priscilla Bispo. Ela se diz "inconformada com a tragédia" e, como o restante da família de Adriano, desconfia que o crime tenha sido motivado por homofobia. Para ela, Adriano fazia o estilo "andrógino".
Con gazetaweb.com