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PT do Recife pode sofrer nova intervenção

A decisão de apoiar o PSB no Recife, tomada no último sábado (1) pelo Diretório Municipal do PT, pode não ser definitiva; o caso foi parar na Executiva Nacional do partido que fará uma reunião no próximo dia 8, em Brasília (DF), para reavaliar a posição tomada pelo Diretório Municipal; dependendo do resultado, uma nova intervenção da direção nacional, a exemplo do que aconteceu nas prévias para definir o candidato do partido nestas eleições, poderá ampliar ainda mais o racha interno existente na legenda

PT do Recife pode sofrer nova intervenção (Foto: Waldemir Barreto)

Leonardo Lucena y Paulo Emílio_PE247 – A decisão de apoiar o PSB no Recife, tomada no último sábado (1) pelo Diretório Municipal do PT, pode não ser definitiva. A Executiva Nacional do partido terá uma reunião no próximo dia 8, em Brasília (DF), para reavaliar a posição dos petistas, ou seja, a independência do Partido dos Trabalhadores, defendida pelo senador e candidato derrotado à Prefeitura, Humberto Costa, e pelo deputado federal e seu candidato a vice na chapa, João Paulo, ainda não é carta fora do baralho. E a Direção Estadual da legenda, que tem como presidente o deputado federal Pedro Eugênio, também fará um encontro no dia 15 para decidir sobre os rumos que a sigla tomará daqui para frente. Dependendo do resultado, uma nova intervenção da direção nacional, a exemplo do que aconteceu nas prévias para definir o candidato do partido nestas eleições, poderá ampliar o racha interno existente na legenda.

A discussão sobre apoiar ou não o PSB veio após o desfecho das eleições deste ano, com a vitória do socialista Geraldo Júlio, e a derrota do candidato petista, o senador Humberto Costa, que tinha como vice o ex-prefeito João Paulo. O governador de Pernambuco, Eduardo Campos, foi acusado de “traidor” pelo PT após ter lançado candidatura própria. A partir de então, a relação entre as duas legendas ficou instável.

Caso a decisão de apoiar o PSB seja revogada, os maiores vitoriosos serão os líderes das correntes Construindo Um Novo Brasil (CNB) e Articulação de Esquerda (AE), Humberto Costa e o deputado federal João Paulo, respectivamente. Isso porque seria um indicativo de que ambos ainda gozam de influência junto aos membros do Diretório Estadual do PT, mesmo em um ano de crise política no qual os dois congressistas, sobretudo o ex-prefeito, são apontados como os principais responsáveis pela instabilidade interna no partido.

De um lado, vereadores e o presidente municipal, Oscar Barreto, que apoiou o atual prefeito João da Costa nas prévias partidárias ocorrida no primeiro semestre, defendem a aliança. De outro, o presidente estadual do PT, Pedro Eugênio, que ao lado de Humberto Costa e João Paulo, quer a independência, porém não se mostra intransigente em sua posição, aparentemente. O fato é que as divergências intrapartidárias no partido continuam e podem se acentuar nas próximas semanas, dificultando ainda mais a paz no interior da legenda.

O parlamentar João Paulo é o principal desafeto político do atual gestor do Recife, João da Costa, por motivos não esclarecidos até hoje. Além disso, o prefeito ganhou mais um “inimigo”, Humberto Costa, que alega não ter recebido o apoio esperado neste pleito. O chefe do Executivo municipal teria adotado esta postura porque teve sua candidatura impugnada nas prévias, que estava sendo disputada com o então deputado federal Maurício Rands.

Antes que as falhas no Processo de Eleições Diretas (PED) viessem à tona, com o vencimento do prazo para a inscrição de 22 mil filiados que estariam aptos a votar em novembro do ano que vem, e da decisão de apoiar o PSB por parte do Diretório Municipal, o clima dentro do PT já não era bom justamente pelo que aconteceu nas prévias. Como o próprio Pedro Eugênio e cientistas políticos já afirmaram, o Partido dos Trabalhadores precisa fazer uma autocrítica para não cometer os mesmos erros.

No entanto, ainda nem deu tempo de fazer esta autocrítica porque veio outro equívoco, referente ao PED e, depois, um impasse a ser resolvido mesmo após os membros do Diretório Municipal optarem por apoiar o PSB. Agora, se a Executiva Nacional revogar a decisão de apoiar os socialistas no Recife, este será mais um ingrediente que pode provocar sequelas e ampliar o desgaste junto à população recifense. 

Embora a perspectiva de uma nova intervenção nacional acirre ainda mais os ânimos da legenda no Recife, a questão da independência vem sendo tratada com cuidado pela sigla. Como presidente estadual, o deputado Pedro Eugênio poderia reavaliar a situação, mas ele prefere usar de cautela em torno do assunto. "Estamos conversando com todas as forças para encontrar a melhor forma de fortalecer o partido. Mas não é conveniente, agora, defender, como presidente, que a questão seja reavaliada. Melhor aguardar", declarou ao Jornal do Commercio.