PT e PMDB travam CPI para salvar governos aliados
Com receio acerca da lista dos pedidos de quebra de sigilo de pelo menos doze empresas que apresentam risco a governos dos dois partidos, base impede prorrogação da CPI do Cachoeira e reunião de líderes termina sem acordo; "O que irrita é a demagogia. Há a versão para a plateia e outra a portas fechadas", reclamou o deputado Miro Teixeira (PDT-RJ); "Avançamos mais que o Ministério Público e a Polícia Federal na investigação", defende-se o presidente Vital do Rêgo (PMDB-PB), ao afirmar que base vai tentar um consenso até sexta
Goiás247 (Com Agência Senado) - Terminou sem acordo a reunião da CPI do Cachoeira para tratar da prorrogação dos trabalhos. Enquanto a oposição tenta estender o prazo da comissão por mais 180 dias, a base do governo pressiona para um término mais rápido, com prorrogação máxima de 48 dias. Caso não haja alteração nos prazos, o relatório final deverá ser votado antes do dia 4 de novembro, segundo a previsão inicial.
O relator da comissão, deputado Odair Cunha (PT-MG) garantiu que seu relatório está pronto para ser apresentado, mas defendeu a prorrogação para que haja discussão mais aprofundada do texto.
No Senado, a oposição já conseguiu 35 assinaturas para estender o prazo por 180 dias - são necessárias no mínimo 27, ou um terço dos integrantes da Casa. Na Câmara, contudo, há pouco mais de 130 assinaturas, quando seria preciso a adesão de pelo menos 171 deputados.
Ao deixar a reunião da CPI do Cachoeira, há pouco, o líder do PPS na Câmara, deputado Rubens Bueno (PPS-PR), disse que, não havendo a prorrogação dos trabalhos, deverá apresentar um voto em separado a ser encaminhado ao Ministério Público pedindo providências para uma melhor apuração do esquema, que envolve a atuação do grupo de Carlinhos Cachoeira com jogos ilegais e influência em contratos do governo. A base e a oposição no Congresso divergem sobre a convocação de novos depoentes.
Segundo a Coluna Radar (Veja), o motivo da não prorrogação da CPI é que há na lista dos pedidos de quebra de sigilo pelo menos doze empresas que apresentam risco a governos de PT e PMDB. Por razões matemáticas, sem essas duas bancadas, não há o que ande no Congresso.
À coluna o deputado Miro Teixeira (PDT-RJ) esbravejou: "O que irrita é a demagogia. Há a versão para a plateia e outra a portas fechadas. Quando liga a luz da câmera, todos dançam cancan, jogando as perninhas feito prostitutas e defendendo a prorrogação. Na reunião, a conversa é outra, inclusive por parte da oposição."
O presidente da CPI, Vital do Rêgo (PMDB-PB), afirmou após a reunião que os partidos da base farão um esforço até sexta-feira para chegar a uma definição. “Tentamos que o colegiado de líderes decidisse. Não deu certo e vamos para a coleta de assinaturas”. O senador rebateu as críticas da oposição de que, sob a orientação do governo, estaria freando a quebra de sigilo de novas empresas envolvidas no esquema. “O foco já foi buscado e trabalhado. Avançamos mais que o Ministério Público e a Polícia Federal na investigação”, afirmou o presidente da CPI.