Que medo! Meu sangue congelou
Ao analisar o sangue de pessoas que acabam de assistir um filme de terror, pesquisadores descobriram que a taxa de um fator favorecendo a coagulação tinha aumentado.
Por Soline Roy - El Fígaro
A ciência, com frequência, confirma a sabedoria popular. Pense no medo: os franceses dizem que ele “congela o sangue”; os ingleses preferem dizer que ela o coalha; os alemães, por seu lado, preferem afirmar que ele o gela. Haverá alguma verdade nisso?
Pesquisadores holandeses fizeram questão de esclarecer o assunto. Talvez eles sonhassem também em participar da edição de Natal do British Medical Journal que todo ano lisonjea o gosto zombeteiro dos pesquisadores (e dos jornalistas) para as experiências improváveis respondendo a perguntas que não surgem. Mas, no caso, o tiro parece ter saído pela culatra.
Forças do mal contra o champagne
Um professor de epidemiologia, dois médicos e um pesquisador do centro médico da Universidade de Leiden, nos Países Baixos, projetaram dois filmes para 24 voluntários jovens e saudáveis: 14 assistiram pela primeira vez, Insidioso, um filme de terror com fenômenos paranormais, forças do mal e aventuras extracorporais; e, uma semana depois, no mesmo dia e no mesmo horário, uma obra certamente «engraçada e borbulhante» ao acreditarmos no cartaz, mas provavelmente menos prejudicial que a anterior. Os 10 outros voluntários puderam assistir aos mesmos dois filmes, porém em ordem diferente.
Antes e depois de cada sessão, coletaram o sangue deles. Não para acrescentá-lo à hemoglobina mostrada na tela, mas para olhar o que tinha dentro. Eles haviam sido levados a acreditar que se tratava de observar a coagulação após terem ficado sentados por muito tempo (90 minutos para cada um dos filmes), e eles não podiam nem beber e nem fumar no dia anterior à sessão.
Ventaja evolutiva
Mais interessantes são os resultados relativos à evolução da taxa do fator VIII, um agente de coagulação no sangue dos espectadores. Nenhuma palavra será pronunciada sobre a cobaia desobediente que, preocupada em ter que se submetera a mais uma coleta de sangue (ou assistir um filme cheio de bolhas?), entupiu-se de chocolates durante a sessão e desmaiou durante a coleta. Quanto aos outros, espectadores quietos e corajosos, o fator VIII aumentou em 57 % dos espectadores do filme de terror contra apenas 14 % daqueles que viram o documentário.
«A vantagem clínica fornecida por nossos resultados não é imediatamente óbvia», concordam voluntariamente os autores. No entanto, uma melhor coagulação em caso de um susto enorme, confere «uma vantagem significativa em termos de evolução, pois ela prepara o corpo para uma perda de sangue devido a uma situação de risco». Nunca se sabe. Com o desenvolvimento da 3D, os heróis de cinema um dia tentarão sair da tela…