Realização sexual. Qual a melhor idade para que ela aconteça?
Segundo uma pesquisa conduzida por um site britânico com 1281 pessoas, a idade da felicidade sexual aumenta à medida que envelhecemos.
Por Damien Mascret - Le Figaro
Com quantos anos você se realizou sexualmente? Aos 28 anos, se você for uma mulher; aos 33 anos, se você for um homem. Pelo menos, se nos contentarmos em calcular uma média geral, porém, uma pesquisa inicial, criada por um site inglês renomado e dedicado ao prazer (lovehoney.co.uk) mostra que não respondemos da mesma forma, dependendo da nossa idade!
Se fizermos a pergunta para adolescentes, a maioria situa o melhor momento da sexualidade aos 18 anos. Se por outro lado, fizermos a pergunta para jovens na casa dos 20 anos, o pico sexual é um pouco diferente, aos 22 anos. Os trintões o situam aos 31 anos, enquanto os quarentões diferem ainda mais, aos 38 anos. Os cinquentões fazem a mesma coisa, já que respondem ter conhecido “sua melhor a sexualidade” aos 45 anos. Finalmente, os sexagenários diferem um pouco, já que eles situam seu pico sexual aos 47 anos.
Agora, se calcularmos a melhor idade sexual declarada, em relação à idade atual, o resultado é de…3 anos a menos. Em outras palavras, a idade ótima é aos 30 anos se você tiver 33 anos. É claro que se trata apenas de uma média: aos 25 anos, eles dirão: “foi há um ano e meio”, ao passo que aos quarenta anos eles dirão “foi há 5 anos”. Na prática, a ideia subentendida levantada por este estudo é a de uma referência móvel quanto ao pico sexual. Como se não parássemos de mudar nossas pretensões, ou adaptar-nos à realidade de nossa vida sexual.
O que é uma sexualidade ideal?
A proliferação de conselhos na mídia incomoda um pouco a sexóloga canadense Peggy Kleinplatz (Universidade de Ottawa). “Infelizmente, há muito pouca informação nos trabalhos científicos sobre sexualidade ideal para contrabalancear os estereótipos e as matérias de revistas”, lamentava ela no El diario de la familia em 2007. Na realidade, além de suas próprias pesquisas, raros são os cientistas que se debruçaram sobre o assunto.
Os sexólogos estão naturalmente mais propensos a se preocuparem com as queixas dos seus pacientes, que querem aperfeiçoar a sua vida sexual de casal, sem problemas aparentes. Sem contudo, evitarem o risco de estar remediando situações que poderiam ser consideradas banais: uma queda temporária do desejo, uma diminuição da excitação num contexto de rotina, oscilações de ereção ou lubrificação, dificuldade em alcançar o orgasmo….
Uma vez que a última grande pesquisa sobre a sexualidade dos franceses (Bajos & Boson, A Descoberta, 2008) já mostrava, que se pode muito bem encontrar certas dificuldades sexuais (ou consideradas como tais) sem que isto constitua um problema para o casal. Ao contrário, certos acontecimentos que não são necessariamente um problema para a mulher, como a falta de orgasmo em cada relação sexual, pode se tornar problemática caso o parceiro se sinta obrigado, devido a suas boas intenções igualitárias, de “dar um orgasmo” sistematicamente: os sociólogos falam disso como “escambo de orgasmos” , pratica que se tornou norma para certas pessoas.
Cúmplice com o seu parceiro
Em uma matéria dedicada ao mistério da sexualidade feminina, a revista Ça m’interesse, de junho de 2012 ilustra este fenômeno. A revista pesquisou entre alguns leitores para saber a opinião deles sobre os fundamentos de uma sexualidade realizada. A resposta mais frequente tanto para os homens como para as mulheres interrogadas: “sentir-se cúmplice com o parceiro” e “estar apaixonado”. Por outro lado, ainda havia 22% dos homens interrogados que diziam “estarem mais concentrados sobre o prazer do outro”, uma opinião compartilhada apenas por 6% das mulheres. É verdade que os entrevistados tinham apenas o direito a duas respostas, no máximo, para uma dezena de perguntas feitas.
Para muitos casais, mesmo os transitórios, o segredo de uma sexualidade realizada, se baseia, no fundo, em alguns princípios simples: poder estar totalmente presente no momento com uma sensação intensa de conexão emocional recíproca, ser autêntico, isto é honesto consigo mesmo e com o outro na intimidade, tanto sobre suas preferências, seus desejos, seus medos quanto sobre suas relutâncias ou decepções (não é possível controlar sua excitação, mesmo sendo possível favorecê-la); ter um sentimento de intimidade com seu/sua parceiro(a), inclusive fora da cama, e finalmente: não superestimar a importância do sexo, sem com isso negligenciar as eventuais dificuldades que se mantenham por longo tempo.