Sandes, Otoni e Stepan se livram de processo
Mesa Diretora da Câmara decidiu arquivar as representações contra os deputados, que foram acusados de envolvimento com as ações do contraventor Carlinhos Cachoeira; já o caso do deputado Leréia, do PSDB de Goiás, foi encaminhado para o Conselho de Ética
Agencia de la Cámara_ A Mesa Diretora da Câmara decidiu na quarta-feira, 19, arquivar as representações contra os deputados Rubens Otoni, do PT de Goiás, Sandes Júnior, do PP de Goiás, e Stepan Nercessian, do PPS do Rio de Janeiro. Os três estavam sendo acusados de envolvimento com as ações de Carlos Cachoeira. Na prática, a Mesa acolheu as determinações das sindicâncias realizadas pela Corregedoria da Câmara que não encontrou provas suficientes para punir os três deputados.
O deputado Vicente Cândido, do PT de São Paulo, foi relator da sindicância que investigou um empréstimo tomado pelo deputado Stepan Nercessian com Carlos Cachoeira.
"Nós, na análise, não detectamos nenhuma materialidade que viesse a ferir o decoro parlamentar. Ele obteve o empréstimo e devolveu na semana seguinte. Comprovou através de documentos e, na nossa avaliação, não infringe nenhum dos incisos do regimento da Casa no tocante ao decoro parlamentar."
Já o caso do deputado Carlos Alberto Leréia, do PSDB de Goiás, foi encaminhado para o Conselho de Ética. Jerônimo Goergen, do PP do Rio Grande do Sul, foi o relator da sindicância que apurou as denúncias contra Leréia. Ele destacou que o relatório já estava pronto há algum tempo, mas a Mesa Diretora da Câmara optou por fazer a análise do processo somente após o encerramento dos trabalhos da CPMI do Cachoeira.
"Eu considero que a relação do parlamentar com o contraventor é uma relação muito além de uma simples amizade. É uma relação de negócio, de influência política, de tráfico de influência para atender as demandas que lhe eram passadas pelo grupo que está sendo julgado. E por isso nós consideramos que há a quebra do decoro e isto é um motivo para a abertura do processo. E dada a gravidade daquilo que nós encontramos nas gravações, nos depoimentos, é, sem dúvida, um motivo ainda maior para que haja a perda do mandato."
O processo contra o deputado Carlos Alberto Leréia deve ser analisado pelo Conselho de Ética no primeiro semestre de 2013.