UEG afasta diretora e MP investiga concursos
Segplan cancelou sete certames, inclusive a prova para agente de polícia que seria realizada no domingo, 3; CGE orientou demais secretarias de governo a rever concursos realizados desde o início de 2011; reitor Haroldo Reimer (no detalhe à direita) solicitou instauração de inquéritos às polícias Civil e Federal; chefe do Núcleo de Seleção, Eliana Machado Pereira Nogueira (e) está temporariamente desligada da função
Goiás247_ As suspeitas de fraudes em recentes concursos realizados pela Universidade Estadual de Goiás (UEG) resultaram no afastamento temporário da diretora do Núcleo de Seleção da instituição, Eliana Machado Pereira Nogueira, até o final das investigações. Em um comunicado do reitor, Haroldo Reimer, divulgado na terça-feira, 26 (íntegra abaixo), a universidade informa também as trocas dos integrantes da coordenação acadêmica do Núcleo, responsável pela elaboração das provas teóricas.
Além do afastamento de servidores, a UEG requisitou abertura de inquéritos às polícias Civil Federal. Instituiu também uma sindicância, medidas que visam “investigar a fundo os processos, averiguando a realidade dos fatos, bem como aferir a responsabilidade das pessoas”. A UEG convocou entrevista coletiva para a manhã desta quarta-feira para esclarecer as medidas.
Diante das suspeitas que recaem sobre os concursos do Estado, a Secretaria de Gestão e Planejamento (Segplan) cancelou sete certames realizados pela UEG, inclusive a prova escrita para agente de polícia, que seria aplicada no domingo, 3. Entre os processos seletivos cancelados estão o do Instituto Mauro Borges e da Secretaria de Ciência e Tecnologia.
A Controladoria Geral do Estado (CGE) também orientou as demais pastas do governo a cancelarem seus concursos e decidiu investigar todos aqueles que foram realizados desde o início de 2011, pois teria verificado a ocorrência do mesmo problema no gabarito que resultou no cancelamento das seleções da Segurança Pública.
Ministério Público
Na terça-feira a promotora Sandra Mara Garbelini, em substituição na 11ª Promotoria de Justiça de Anápolis, instaurou inquérito civil público para apurar eventual fraude na realização dos concursos públicos realizados pela UEG. Garbelini requisitou à Diretoria do Núcleo de Seleção esclarecimentos sobre a metodologia utilizada na geração do gabarito, com o nome dos servidores responsáveis pela formulação destes; sobre informações relativas ao controle de segurança exercida pela direção quanto aos atos praticados pelos servidores do núcleo na formulação dos gabaritos, especialmente na preservação do sigilo.
Também foi requerida a relação dos nomes de todos os componentes das bancas examinadoras dos concursos e de todos os servidores lotados no núcleo de seleção, assim como de eventuais prestadores de serviço. Foi concedido o prazo de 10 dias para o envio das informações.
A promotora requisitou ainda à Segplan informações sobre as possíveis irregularidades ocorridas nos certames, especialmente se a realização do concurso continuará sendo feita pelo Núcleo de Seleção da UEG diante da “vulneração” da credibilidade da instituição, que afeta a licitude dos concursos públicos. Clique aqui para ler a íntegra do documento.
Conforme apontou a promotora na portaria de instauração do inquérito, chegou ao conhecimento do MP, por meio de inúmeros e-mails e contatos telefônicos feitos por candidatos, que teria ocorrido fraude no concurso público da área de segurança pública ocorrido no último dia 24 de fevereiro, devido à constatação de que as respostas das questões objetivas seguiam uma sequência numérica e de letras, que tinham correspondência em todos os tipos de provas aplicadas. Também foi citado que a sequência dos gabaritos apresenta-se suspeita na forma como foi planejada e realizada pela UEG.
O comunicado do reitor da UEG
As notícias veiculadas desde ontem nas mídias sociais e na imprensa em geral sobre indícios de irregularidades nas provas teóricas de vários concursos operados pelo Núcleo de Seleção por causa das sequências repetidas significaram um duro golpe no nosso trabalho de reconstrução da imagem pública e da credibilidade da Universidade Estadual de Goiás à frente da Reitoria desde 2012.
Tão logo tomamos conhecimento das notícias travamos os contatos necessários com as partes envolvidas no processo, em especial a Secretaria de Gestão e Planejamento e a Secretaria de Segurança Pública visando o cancelamento das provas para PM Oficial, PM Soldado, Escrivão e Delegado da Polícia Civil, conforme foi noticiado ainda na noite de ontem.
Durante o dia de hoje buscamos nos inteirar mais da realidade dos fatos, ouvindo pessoas responsáveis pela aplicação das provas no Núcleo de Seleção. A partir dos dados e informações coletados, determinamos as seguintes providências:
1 - Solicitamos à Polícia Civil abertura de inquérito, convidando também a Polícia Federal para proceder as investigações cabíveis;
2 - Instauramos sindicância interna para apuração dos fatos;
3 - Até o final da sindicância e as investigações cabíveis, afastamos temporariamente a diretora do Núcleo de Seleção, a fim de preservar o seu legítimo direito de defesa e a isenção necessária para os procedimentos;
4 - Trocamos os integrantes da coordenação acadêmica do Núcleo de Seleção responsável pela confecção das provas teóricas;
5 - Pedimos à SEGPLAN a suspensão das provas para Agente da Polícia Civil, marcadas para o próximo domingo, dia 3 de março;
6 - Solicitamos também a repetição da prova teórica para o Instituto Mauro Borges.
Com estes procedimentos, buscamos investigar a fundo os processos, averiguando a realidade dos fatos, bem como aferir a responsabilidade das pessoas envolvidas nos mesmos. Esperamos que os resultados das investigações tragam à luz a verdade, indicando o caminho a seguir.
O Núcleo de Seleção da UEG tem um histórico de realização de concursos sempre marcado por lisura e competência. Queremos que esta história tenha continuidade e por isso nos engajamos para a superação das aporias ora existentes. Como gestor máximo da universidade, não temos compromisso com o erro. Temos o firme propósito de conduzir a UEG rumo à excelência acadêmica.
Por isso, lamentamos profundamente todos os transtornos para as pessoas que fizeram as provas ou que deverão repetir provas e que se sentem lesadas pelos eventos, ocorridos alheios à nossa vontade. A indignação é um sentimento que se instalou em nós tão logo a gravidade da questão veio à tona. Em breve deverá ser divulgado um cronograma para as provas, pelo que a UEG poderá e deverá demonstrar toda a seriedade e lisura nos processos.
A Reitoria da Universidade Estadual de Goiás se coloca à disposição do Ministério Público, da Polícia Civil e Federal e dos demais órgãos de fiscalização para que a verdade venha à tona e para que se restabeleça a credibilidade adquirida pelo Núcleo de Seleção ao longo da sua história.
Prof. Dr. Haroldo Reimer
Reitor da UEG
