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Sakamoto: Maia diz que Bolsa Família escraviza, mas quem escraviza é a pobreza

"É um tanto quanto assustador quando o presidente da Câmara dos Deputados de seu país afirma que a cidadania – o conjunto dos direitos e deveres civis e políticos dos indivíduos junto à sociedade – é o mesmo que um emprego", diz o jornalista Leonardo Sakamoto, após o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), dizer que o Bolsa Família ''escraviza as pessoas''; "O ato falho nos ajuda a entender porque Rodrigo Maia se empenhou tão fortemente na aprovação da PEC do Teto dos Gastos no final de 2016", diz Sakamoto

"É um tanto quanto assustador quando o presidente da Câmara dos Deputados de seu país afirma que a cidadania – o conjunto dos direitos e deveres civis e políticos dos indivíduos junto à sociedade – é o mesmo que um emprego", diz o jornalista Leonardo Sakamoto, após o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), dizer que o Bolsa Família ''escraviza as pessoas''; "O ato falho nos ajuda a entender porque Rodrigo Maia se empenhou tão fortemente na aprovação da PEC do Teto dos Gastos no final de 2016", diz Sakamoto (Foto: Leonardo Lucena)

247 - "É um tanto quanto assustador quando o presidente da Câmara dos Deputados de seu país afirma que a cidadania – o conjunto dos direitos e deveres civis e políticos dos indivíduos junto à sociedade – é o mesmo que um emprego", diz o jornalista Leonardo Sakamoto, após o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), dizer em Washington, que o Bolsa Família ''escraviza as pessoas''.

Para o democrata, programa social bom é aquele que ''dá condições para que a pessoa volte à sociedade'' e, por conta própria, consiga um emprego. ''A cidadania é um emprego, a cidadania não é depender do Estado brasileiro", afirmou o parlamentar durante uma palestra.

De acordo com o jornalista, o deputado atrela "a vida em coletividade à prestação de serviços a alguém. E não o respeito às integridades física, psicológica, emocional e intelectual dessa pessoa. Mais um pouco e ele ressuscitava o crime de vadiagem".

"Isso explica a sua declaração sobre necessidade de fazer com que os beneficiários do programa 'voltem à sociedade'. Eu nunca imaginei que 13,8 milhões de famílias pobres (que receberam o Bolsa Família em dezembro de 2017) não faziam parte da sociedade. Sabia que negávamos a elas dignidade, mas não achei que isso as excluiria do restante de nós. Agradeço ao deputado por nos explicar isso", continua.

"Por sua vez, o ato falho nos ajuda a entender porque Rodrigo Maia se empenhou tão fortemente na aprovação da PEC do Teto dos Gastos no final de 2016. A proposta de emenda constitucional congelou novos investimentos públicos em áreas como educação, saúde, cultura, lazer, transporte pelos próximos 20 anos. O que deve afetar, principalmente, quem depende de serviços públicos para sobreviver. O que certamente inclui os 13,8 milhões acima citados".

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