França recua em plano de nacionalização
Governo de François Hollande demonstra, mais uma vez, fraqueza e aceita promessa desfavorável da Arcelor Mittal de investir 180 milhões de euros em cinco anos
Roberta Namour, correspondente do 247 em Paris – Em mais uma prova de incoerência em seu discurso, o presidente francês François Hollande voltou atrás no plano de nacionalização da gigante do aço Arcelor Mittal em contrapartida de uma promessa de investimento a longo prazo.
A ameaça do governo surgiu depois que a Arcelor Mittal anunciou a intenção de vender as atividades não rentáveis do grupo, como a produção do aço bruto, que emprega 630 pessoas em Florange. O governo diz ter encontrado pelo menos dois compradores, mas eles exigem assumir todas as atividades do grupo na França. Como a ideia foi rechaçada pelo dono, Hollande apareceu com seu plano de nacionalização forçada.
Mas num acordo improvável nesta sexta-feira, o governo aceitou postergar uma decisão definitiva em troca da promessa do grupo de um investimento de 180 milhões de euros, nos próximos cinco anos, em Florange. A decisão foi criticada pela maior representação sindical do país, que julga a solução longa demais e pouco consistente num momento de forte crise econômica.
Como no caso da oposição fajuta ao plano de austeridade de Angela Merkel, o presidente francês perdeu novamente uma oportunidade de passar uma imagem firme da França.