Na crise com Irã, Bolsonaro foi o mais pró-americano entre os aliados dos EUA
Ao analisar o assassinato do general iraniano Qassem Soleimani como um episódio de combate ao terrorismo, o Brasil foi mais longe do que outros aliados de Washington. A avaliação é do professor de relações internacionais Paulo Velasco
247 - Em nota após a morte do general em um ataque de drone no Aeroporto Internacional de Bagdá, o Itamaraty disse que "o Governo brasileiro manifesta seu apoio à luta contra o flagelo do terrorismo" e pediu "unidade de todas as nações contra o terrorismo".
"O Brasil está igualmente pronto a participar de esforços internacionais que contribuam para evitar uma escalada de conflitos neste momento", disse o Itamaraty.
A postura contrasta até mesmo com a posição da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), entidade que conta com contribuição vital dos Estados Unidos. O secretário-geral da OTAN, Jens Stoltenberg, reconheceu que o Irã não deve ser uma potência nuclear, mas também pediu contenção", informa o site Sputnik.
"A nota surpreende um pouco. O Brasil associa a ação norte-americana ao combate ao terrorismo e indica, de certa forma, que o Brasil entende, ainda que indiretamente, que a Guarda Revolucionária do Irã seria também um grupo terrorista, fugindo um pouco da tradição brasileira de seguir os parâmetros da ONU", diz Velasco, professor de relações internacionais da UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), em entrevista à Sputnik Brasil.
O professor da UERJ avalia que o Brasil adota uma "posição central em um tema que não deveria" e que essa situação coloca o país em um quadro de "vulnerabilidade". Ele também relembra o episódio recente em que a Petrobras se recusou a reabastecer dois navios iranianos que estavam em portos brasileiros.
Velasco diz que a "postura clara ao lado dos Estados Unidos" foi evitada até mesmo por aliados e membros da OTAN, que foram mais "prudentes".
