A primeira derrota de Lula para o PT na sucessão
Desacostumado a perder, ex-presidente tenta impor Haddad como candidato do PT Prefeitura de So Paulo, mas nenhum dos outros trs pleiteantes vaga retirou a candidatura at agora
247 – O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva amealhou inquestionável capital político durante seus oito anos de governo. Oito meses depois de deixar a Presidência, Lula continua sendo consultado e tendo a voz ouvida em assuntos de importância para o governo e para o país, mas, dentro de seu próprio partido, o presidente parece não ter tanta influência quanto se imaginava. Entusiasta da candidatura do ministro da Educação, Fernando Haddad, para a Prefeitura de São Paulo nas eleições de 2012, Lula ainda não conseguiu convencer os colegas de partido de que Haddad é a melhor opção e, se não fizer isso logo, perde a disputa interna.
No início da semana, o ex-presidente se reuniu com três dos concorrentes de Haddad no PT, mas nenhum deles retirou a candidatura em favor do ministro – até agora, o único que parece ter aceitado deixar a disputa é o senador Eduardo Suplicy (SP). Segundo o deputado Jilmar Tatto (PT-SP), o ex-presidente não chegou a pedir a retirada de sua candidatura, mas a mensagem foi dada: Lula disse que Haddad é seu preferido (e da presidente Dilma Rousseff) e que as prévias partidárias desgastariam o PT.
Lula teria dito ao deputado Carlos Zaratini (PT-SP), outro pleiteante ao cargo, que nem ele nem Tatto têm estofo para penetrar na classe média paulistana e que a senadora Marta Suplicy, que também está no páreo, tem índice de rejeição altíssimo no estado. A Marta, Lula disse que precisa dela no Senado, para consolidar seu projeto para São Paulo, mas a senadora deixou a reunião da forma que entrou, decidida a continuar na disputa.
Os esforços de Lula para transformar Haddad em prefeito podem até surtir efeito, mas o ex-presidente corre contra o tempo. A última pesquisa de opinião realizada na capital mostrou que o ministro é praticamente desconhecido da população paulistana e, para piorar, que Marta obteria cerca de 30% dos votos em quase todos os cenários de disputa. Se os índices de Haddad não melhorarem até o início de 2012, nem o cacife de um ex-presidente como Lula pode dar conta de impor a candidatura do ministro.
