Eleições virtuais
Não há também uma nova geração de políticos para resolver os problemas elementares de gestão pública para os quais os atuais administradores demonstram estar sempre despreparados
É com responsabilidade e respeito ao povo que se faz política. Pois é ele quem vota, quem escolhe. Submete-lo a eleger um gestor público, enfrentando a demagogia e as pressões dos políticos que detém o poder sob ameaças e troca de favores, provoca tamanho desgaste em suas relações com os eleitores que pode levá-los a reagir com a fúria dos oprimidos e expor seu grito de liberdade nas ruas, como uma forma de renovar suas esperanças e exigir mudanças.
Não haveriam surpresas no resultado das eleições, se as relações entre os nossos políticos e seus eleitores fossem francas e os relatórios de gestão dos municípios fossem apresentados com a devida transparência. Mas como isso nunca ocorre, sobretudo junto aos membros das classes menos favorecidas, as cores dos protestos poderão se espalhar pelo silencio sagrado das urnas e explodir em agitadas perturbações nas comemorações das ruas.
A alegria das músicas e os gritos de vitória que embalam o início desta primavera estão anunciando que mais um ciclo está prestes a chegar ao seu fim. Pelo critério de maioria, os eleitores que elegem seus novos vereadores para as câmaras municipais, decidem também se trocam os seus prefeitos. Mas eles sabem que estes novos dirigentes serão sempre os mesmos representantes dos grupos políticos de sempre.
Os desafios de gestão das cidades são grandes e muitos. Realizar as obras aguardadas pela população, enfrentando o dinamismo do atual crescimento econômico do país, pode deixar a população desorientada e perdida no tempo, sem conseguir entender por que, além da necessária renovação das cidades, não há também uma nova geração de políticos para resolver os problemas elementares de gestão pública, para os quais os atuais administradores demonstram estar sempre despreparados, dando conhecidas provas de que nunca irão evoluir nem se adaptar aos novos tempos.
Quando as situações de educação e trabalho são inadequadas nessas cidades, isso faz com que os seus moradores tenham que conviver com uma dura realidade, precipitando sempre o clamor por novas transformações a serem feitas que possam gerar mais renda, saúde, habitação e transportes públicos de qualidade que atenda o constante crescimento da população.
Mas as crianças e adolescentes que hoje brincam nas praças, crescerão sonhando com cidades modernas, que devem ser iluminadas por energias alternativas, sendo transportadas por veículos movidos a energia elétrica e onde irão depositar seu lixo doméstico em recipientes adequados para poder ser reciclado, sem esquecer que escolherão seus candidatos a prefeito em redes sociais e através de eleições virtuais...