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FHC defende Judiciário no lugar dos golpes militares

Ex-presidente Fernando Henrique Cardoso retoma, de forma sutil, sua pregação anti-Dilma; segundo ele, o sistema político brasileiro apodreceu e a punição relativa ao escândalo da Petrobras deve chegar aos "mais altos hierarcas" da república; "No passado, seriam golpes militares. Não é o caso, não é desejável nem se veem sinais", diz ele; "Resta, portanto, a Justiça. Que ela leve adiante a purga; que não se ponham obstáculos insuperáveis ao juiz, aos procuradores, delegados ou à mídia. Que tenham a ousadia de chegar até aos mais altos hierarcas"; depois de José Serra afirmar que Dilma não completará seu mandato e Aécio Neves dizer que a Petrobras foi "destruída", tucanos retomam a ofensiva

Ex-presidente Fernando Henrique Cardoso retoma, de forma sutil, sua pregação anti-Dilma; segundo ele, o sistema político brasileiro apodreceu e a punição relativa ao escândalo da Petrobras deve chegar aos "mais altos hierarcas" da república; "No passado, seriam golpes militares. Não é o caso, não é desejável nem se veem sinais", diz ele; "Resta, portanto, a Justiça. Que ela leve adiante a purga; que não se ponham obstáculos insuperáveis ao juiz, aos procuradores, delegados ou à mídia. Que tenham a ousadia de chegar até aos mais altos hierarcas"; depois de José Serra afirmar que Dilma não completará seu mandato e Aécio Neves dizer que a Petrobras foi "destruída", tucanos retomam a ofensiva (Foto: Gisele Federicce)

247 - O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso publica um artigo neste domingo em que defende, de forma sutil, uma mudança na ordem política nacional.

Desta vez, segundo ele, os militares não devem ser mais os agentes da mudança – mas sim o Poder Judiciário. "No passado, seriam golpes militares. Não é o caso, não é desejável nem se veem sinais. Resta, portanto, a Justiça. Que ela leve adiante a purga; que não se ponham obstáculos insuperáveis ao juiz, aos procuradores, delegados ou à mídia. Que tenham a ousadia de chegar até aos mais altos hierarcas", afirma.

Nesta semana, o senador José Serra (PSDB-SP) afirmou que a presidente Dilma não completará seu segundo mandato e o senador Aécio Neves (PSDB-MG) disse ainda que a Petrobras "destruída". Com a linha de conduta pautada por FHC, tucanos retomam a ofensiva.

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Llegó la hora

Quando eventualmente este artigo vier a ser lido, a Câmara dos Deputados estará escolhendo seu novo presidente. Ganhe ou perca o governo, as fraturas na base aliada estarão expostas. Da mesma maneira, o esguicho da Operação Lava Jato respingará não só nos empresários e ex-dirigentes da Petrobras nomeados pelos governos do PT, mas nos eventuais beneficiários da corrupção que controlam o poder. A falta de água e seus desdobramentos energéticos continuarão a ocupar as manchetes. Não se precisa saber muito de economia para entender que a dívida interna (três trilhões de reais!), os desequilíbrios dos balanços da Petrobras e das empresas elétricas, a diminuição da arrecadação federal, o início de desemprego, especialmente nas manufaturas, o aumento das taxas de juros, as tarifas subindo, as metas de inflação sendo ultrapassadas dão base para prognósticos negativos do crescimento da economia.

Todo esto es preocupante, pero no es lo que más me preocupa. Temo, sobre todo, dos cosas: que nos hayamos extraviado en la historia y que los líderes nacionales no se den cuenta de que la crisis inminente no es algo común: la desconfianza no solo se concentra en la economía, sino en el sistema político en su conjunto. Cuando estos procesos ocurren, no aparecen en los titulares de los periódicos. Cuando las termitas entran en la madera, son invisibles; cuando se detectan, la madera ya se ha podrido.

Por que temo havermos perdido o rumo? Porque a elite governante não se apercebeu das consequências das mudanças na ordem global. Continua a viver no período anterior, no qual a política de substituição das importações era vital para a industrialização. Exageraram, por exemplo, ao forçar o "conteúdo nacional" na indústria petrolífera, excederam-se na fabricação de "campeões nacionais" à custa do Tesouro. Os resultados estão à vista: quebram-se empresas beneficiárias do BNDES, planejam-se em locais inadequados refinarias "Premium" que acabam jogadas na vala dos projetos inconclusos. Pior, quando executados, têm o custo e a corrupção multiplicados. Projetos decididos graças à "vontade política" do mandão no passado recente.

Impulsados ​​por la misma ceguera, para obligar a Petrobras a apoderarse de las reservas del presal, modificaron la ley petrolera que permitía a la empresa estatal competir en el mercado, la endeudaron y la distanciaron de la competencia. Una medida que eximía a la empresa de la competencia en las compras se transformó en una mera protección para decisiones arbitrarias que facilitaban la malversación de fondos públicos.

Mais sério ainda no longo prazo: o governo não se deu conta de que os Estados Unidos estavam mudando sua política energética, apostando no gás de xisto com novas tecnologias, buscando autonomia e barateando o custo do petróleo. O governo petista apostou no petróleo de alta profundidade, que é caro, descontinuou o etanol pela política suicida de controle dos preços da gasolina que o tornou pouco competitivo e, ainda por cima (desta vez graças à ação direta de outra mandona), reduziu a tarifa de energia elétrica em momento de expansão do consumo, além de ter tomado medidas fiscais que jogaram no vermelho as hidrelétricas.

Ahora todos lamentan la crisis energética, la falta de competitividad en la industria manufacturera y las altas tasas de interés, consecuencia inevitable de la mala gestión de las finanzas públicas y el incumplimiento de las metas de inflación. Quienes ostentan el poder han olvidado que existían alternativas, que sin innovación tecnológica los sectores productivos aislados no pueden sobrevivir en la globalización, y que si existen abusos y corrupción en las empresas, estos no se deben a errores de los empleados de Petrobras ni exclusivamente a la avaricia de los empresarios, sino a políticas de las que son responsables, sobre todo porque fue el gobierno quien nombró a los directores ahora acusados ​​de corrupción, al igual que quienes se beneficiaron fueron las partes vinculadas a él.

Preocupo-me com as dificuldades que o povo enfrentará e com a perda de oportunidades históricas. Se mantido o rumo atual, o Brasil perderá um momento histórico e as gerações futuras pagarão o preço dos erros dos que hoje comandam o país. Depois de doze anos de contínua tentativa de desmoralização de quase tudo que meu governo fez, bem que eu poderia dizer: estão vendo, o PT beijou a cruz, tenta praticar tudo que negou no passado: ajuste fiscal, metas de inflação, abertura de setores públicos aos privados e até ao "capital estrangeiro", como no caso dos planos de saúde. Quanto ao "apagão" que nos ronda, dirão que faltou planejamento e investimento como disseram em meu tempo? Em vez disso, procuro soluções.

Nada se consertará sem uma profunda revisão do sistema político e mais especificamente do sistema partidário e eleitoral. Com uma base fragmentada e alimentando os que o sustentam com partes do orçamento, o governo atual não tem condições para liderar tal mudança. E ninguém em sã consciência acredita no sistema prevalecente. Daí minha insistência: ou há uma regeneração "por dentro", governo e partidos reagem e alteram o que se sabe que deve ser alterado nas leis eleitorais e partidárias, ou a mudança virá "de fora". No passado, seriam golpes militares. Não é o caso, não é desejável nem se veem sinais.

Resta, portanto, a Justiça. Que ela leve adiante a purga; que não se ponham obstáculos insuperáveis ao juiz, aos procuradores, delegados ou à mídia. Que tenham a ousadia de chegar até aos mais altos hierarcas, desde que efetivamente culpados. Que o STF não deslustre sua tradição recente. E, principalmente, que os políticos, dos governistas aos oposicionistas, não lavem as mãos. Não deixemos a Justiça só. Somos todos, responsáveis perante o Brasil, ainda que desigualmente. Que cada setor político cumpra sua parte e, em conjunto, mudemos as regras do jogo partidário-eleitoral. Sob pena de sermos engolfados por uma crise, que se mostrará maior do que nós.