Oposição inicia coleta de assinaturas para 'CPI da Rose'
Senadores e deputados oposicionistas querem comissão de inquérito para investigar a quadrilha desbaratada pela operação Porto Seguro, da Polícia Federal, mas dificilmente conseguirão as assinaturas necessárias para a abertura da CPI
247 - Os parlamentares da oposição começaram nesta terça-feira a coletar assinaturas na Câmara e no Senado para tentar criar a 'CPI da Rosemary', idealizada para ampliar as investigações sobre as irregularidades apuradas pela operação Porto Seguro, da Polícia Federal. Na avaliação dos oposicionistas, as investigações em torno da quadrilha, que tem como uma das figuras centrais a ex-chefe de gabinete da Presidência da República em São Paulo Rosemary Nóvoa de Noronha não pode ficar restrita ao inquérito da PF.
No Senado, a oposição soma apenas 15 parlamentares, mas os senadores do DEM e do PSDB esperam conseguir o apoio de governistas da chamada ala “independente” do Senado. “Sabemos que teremos dificuldades para conseguir 27 assinaturas. O governo entra em pânico quando vê a possibilidade da Rosemary Noronha falar no Congresso. Mas o objetivo é mostrar quem está de um lado, quem está do outro”, disse o líder do PSDB no Senado, Álvaro Dias (PR).
O presidente nacional do PPS, deputado Roberto Freire (SP), e o líder do partido na Câmara, Rubens Bueno (PR), anunciaram o início da coleta de assinaturas na Câmara diante da "blindagem do governo" para impedir que os indiciados da operação Porto Seguro prestem depoimento no Congresso. "Não é de hoje que essa senhora vinha agindo no governo. Ela trabalhou anos com José Dirceu e estava desde 2003, desde o primeiro dia do governo do PT, na Presidência da República", disse Bueno.
"Até agora, o que vemos é que ela está sendo blindada aqui no Congresso e também nas investigações em andamento. Nos estranha o motivo de Rosemary não ter sido alvo de interceptações telefônicas e de quebras de sigilo", completou o deputado, que participou nesta terça-feira de audiência na Câmara com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso, e com delegados da Polícia Federal responsáveis pelo caso.
Já Freire considera obrigação do Legislativo investigar o caso de corrupção que atinge o coração da Presidência da República e envolve uma secretária muito próxima do ex-presidente Lula. "Defender a abertura de uma CPI é afirmar a função do Poder Legislativo, que não pode se omitir diante de um fato de extrema gravidade como esse. É papel da oposição exigir uma investigação no Parlamento num momento em que a democracia e seu poderes, como é o caso do Supremo Tribunal Federal no julgamento do mensalão, dão sinais de afirmação, de que não compactuam com a corrupção e com a impunidade", disse.
Con la ayuda del PPS.