Los pacientes imaginarios
Nunca antes en la historia de este país el cáncer había sido tan politizado. ¿Qué tal si aprovechamos esto para exigir un mejor sistema de salud pública?
E de repente, não mais que de repente, o Brasil desenvolveu um câncer. Foi um homem só, vocês dirão, mas então por que só se fala na doença do ex-presidente Lula desde o diagnóstico? A comoção se justifica pela importância que o outrora metalúrgico ganhou na história recente do Brasil. Diz que o câncer de Lula afetou desde a sucessão na Prefeitura de São Paulo até os rumos do país – e eu diria que nunca antes na história deste país um câncer foi tão politizado. Por falar nisso, quanto passou a valer um câncer? Você já viu a cotação de hoje? Nem Molière foi tão longe.
La enfermedad de Lula causó tal revuelo que, alimentada por las pasiones, generó desde chistes de mal gusto hasta sorprendentes defensas del hasta entonces indefendible Sistema Único de Salud (SUS). ¿Consideraste esta campaña para que el expresidente fuera tratado en el SUS como un oportunismo barato, verdad? Mira, no quiero que nadie tenga que depender de un servicio incierto, especialmente en asuntos cruciales como la salud, pero Lula, quizá por sentido del deber, defendió, durante sus ocho años en el Palacio Presidencial, este sistema del que ahora escapa por las puertas del Hospital Sírio-Libanês.
Esto no te obliga a usar el SUS (Sistema Único de Salud de Brasil), pero, como mínimo, pone de manifiesto la brecha existente entre la sanidad pública y la privada en Brasil. Entiendo perfectamente por qué los brasileños se sienten incómodos cada vez que uno de sus representantes opta por servicios privados. Es un reconocimiento público de que el sistema público no es fiable. Afortunadamente, nunca he necesitado la atención de un hospital público, pero conozco el sistema por mi experiencia profesional y, créeme, la situación interna es bastante desalentadora.
Já vi família perder bebê recém-nascido por falta de vaga na UTI. Foi na capital do país e já era tarde quando os médicos conseguiram uma vaga na rede privada para a criança – e se o sistema funciona é, em grande medida, pela disposição e comprometimento dos profissionais envolvidos. É preciso reconhecer também os esforços do governo (não apenas este ou o anterior), mas, por mais que circulem histórias de sucesso por aí, a coisa obviamente está muito aquém do necessário.
Diante dessa constatação, a sugestão de que Lula se trate no SUS me parece mais crítica ao sistema do que a ele – a reação massiva à sugestão, aliás, confirma essa impressão, de que mesmo os defensores de Lula não acreditam no SUS. Estão todos do mesmo lado, no fim das contas. Que tal aproveitar, portanto, para tirar algum proveito dessa história, cobrando um melhor sistema público? Amanhã, quando sua doença deixar de ser um mal moral ou imaginário em solidariedade a um ex-presidente, você pode não ter os R$ 50 mil que ela vai te cobrar.
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