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Pizzada completa! CPI termina sem relatório

Por 18 votos a 16, integrantes da comissão rechaçaram o texto do relator, Odair Cunha (PT-MG); deputado Silvio Costa (PDT) defendeu a derrubada do documento, segundo ele "cheio de idas e vindas"; senador Randolfe Rodrigues (PSOL), que sempre se mostrou contra, votou hoje a favor do relatório; "Pode não ser o relatório perfeito, mas será uma luz de lamparina na noite da impunidade"

Pizzada completa! CPI termina sem relatório

247 - Por 18 votos a 16, o relatório do deputado Odair Cunha (PT-MG) sobre os trabalhos da CPI do Cachoeira foi rejeitado na sessão desta terça-feira 18. O documento recebeu duras críticas dos parlamentares, que mencionaram o "vai e vem" do documento sobre a retirada e inclusão de nomes de indiciados. Há quatro votos em separado na comissão, que estão sendo votados neste momento. A sessão começou com uma hora de atraso e chegou a ser suspensa por dez minutos pelo presidente, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), a fim de discutir com a secretaria "os ritos processuais a serem adotados na votação".

O deputado Silvio Costa (PTB-PE), que votou pela derrubada do documento, criticou duramente o trabalho do relator, quem, segundo ele, não se comportou com "firmeza". Ele afirma que os parlamentares estão votando o "óbvio" e disse nunca ter visto um relatório com tantas "idas e vindas". Para Costa, não é possível aprovar um documento "que não mostra firmeza em suas palavras", já que o relator tirou e colocou pessoas neste processo. "Não será a primeira nem a última CPI a ficar sem relatório", concluiu o parlamentar.

Já o senador Randolfe Rodrigues (PSOL), que sempre se mostrou contra o documento, votou a favor da versão final do relatório. "Pode não ser o relatório perfeito, mas será uma luz de lamparina na noite da impunidade", defendeu o senador. Segundo ele, a CPI perdeu oportunidades quando suspendeu seus trabalhos em setembro e quando não quebrou o sigilo de empresas que receberam recursos da empreiteira Delta, mas mesmo assim "desmascara o maior esquema de corrupção que tem à frente [o dono da Delta] Fernando Cavendish". 

Para o senador Álvaro Dias (PSDB-PR), que defendeu a rejeição, a CPMI termina onde deveria começar. Ele reclama do fato de a comissão não ter investigado a movimentação financeira de diversas empresas suspeitas. "A blindagem se estabeleceu, para proteger o governo federal", afirmou. "Nós não podemos continuar realizando CPIs com um comando chapa branca", atacou o líder tucano no Senado, que criticou também o processo de tirar e colocar nomes no documento.

Votos separados

A CPMI aprovou texto do deputado Luiz Pitiman (PMDB-DF), que tem apenas uma página e meia, não cita nenhum nome de investigado, critica o trabalho da comissão e diz que a investigação deve ser feita pelo Ministério Público Federal e pela Polícia Federal. Os parlamentares não analisaram, porém, os outros quatro votos em separado apresentados pelo PSDB, pelo senador Randolfe Rodrigues (Psol-AP) e pelos deputados Onyx Lorenzoni (DEM-RS) e Rubens Bueno (PPS-PR) sob argumento de que foram prejudicados pela aprovação do texto de Pitiman.

Em linhas gerais, esses votos pedem aumento de prazo para o funcionamento da CPMI e uma investigação mais completa sobre o envolvimento do empresário Fernando Cavendish e da empreiteira dele, a Delta Construções, no suposto esquema comandado pelo contraventor Carlinhos Cachoeira. Esse esquema envolveria desvio de dinheiro público, fraude em licitações e financiamento de campanhas políticas.

(Con información de Agência Câmara)