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Mosteiro de São Bento de São Paulo está sob intervenção do Vaticano após acusações de assédio sexual feitas por jovens

Abade do mosteiro, Mathias Tolentino Braga foi destituído pelo Vaticano em abril e correm dois processos, na Justiça comum e na eclesiástica

Mosteiro de São Bento de São Paulo (Foto: Wikipedia)

247 - O superior do Mosteiro de São Bento de São Paulo, Mathias Tolentino Braga, que ocupava o cargo de abade, foi destituído do cargo no dia 19 de abril de 2021, após uma uma visita apostólica e desde então um dos maiores símbolos do catolicismo da capital paulista está sob intervenção do Vaticano. 

A razão da intervenção é uma série de denúncias de assédio e abuso sexual contra jovens, humilhações e perseguiçõe. As primeiras denúncias foram feitas em 2019 e os crimes estão sob investigação do Ministério Público, que determinou o prosseguimento de uma ação penal aberta contra quatro religiosos.O caso foi destaque na edição deste domingo (5) do fantástico.

Um dos jovens vítimas dos religiosos do mosteiro conta que os abusos começaram quando ele tinha apenas 16 anos e o sonho de ser monge. O primeiro a assediá-lo foi Rafael Bartoletti, que no mosteiro é chamado pelo seu nome religioso, Irmão Hugo: “Ele veio na minha direção e começou a me forçar pra baixo para um ato de sexo oral. Eu tirei a mão dele, aí eu fiquei um pouco nervoso, falei pra ele que queria sair de lá, queria voltar pra onde estavam os outros meninos, e ele foi e falou: “calma”. Abriu a porta, e me levou de volta”.

Outro rapaz trabalhava como alfaiate no mosteiro quando foi vítima dos religiosos, aos 17 anos. À polícia, o jovem entregou uma série de mensagens trocadas com Rafael Bartoletti.

En un informe de Interceptar, de setembro último, relata-se as investidas do monge João Baptista, responsável pela biblioteca Um dos jovens denunciantes  relata que quando o questionava sobre o comportamento inadequado, ele afirmava que o errado era não satisfazer as próprias vontades carnais: “Na biblioteca, ele tinha a mania de fazer brincadeiras [de cunho sexual]. Quando chegava, sempre me dava um tapinha [na bunda] ou então me abraçava por trás, essas coisas”. Segundo o jovem, o monge também se comportava dessa forma com outros jovens da faculdade.

Em nota ao Fantástico, o Mosteiro de São Bento manifestou repúdio e intolerância “a eventuais desvios de conduta de quaisquer de seus membros”. Informou também que os denunciados foram afastados e respondem não só perante a lei civil, mas também à Justiça eclesiástica.

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