Piquetes depredam no Rio 325 ônibus. Assim vale?
Nada menos que 325 ônibus, segundo o sindicato das empresas do setor, foram atacados por piquetes de grevistas; motoristas chegaram para trabalhar mas foram afugentados por piquetes minoritários e violentos; nas garagens, ônibus tiveram quebras de para-brisas, vidros e retrovisores; apenas 30% da frota circulou; área mais afetada desde o início da paralisação dos rodoviários do município é a Zona Oeste, incluindo as regiões da Barra da Tijuca e Jacarepaguá; a Polícia Militar acionou um plano de operação especial; caos para o povo; sindicato dos rodoviários anuncia que movimento vai durar 24 horas; quem paga o prejuízo popular?
Douglas Corrêa - Reportero de Agência Brasil
O Sindicato das Empresas de Ônibus do município do Rio (Rio Ônibus) informa que até o momento 325 ônibus foram depredados, desde o início da paralisação dos rodoviários do município, na madrugada desta quinta-feira 8. As principais avarias são quebra de parabrisas, janelas e retrovisores. A área mais afetada é a zona oeste, incluindo as regiões da Barra da Tijuca e Jacarepaguá.
Devido à greve, a concessionária CCR Barcas registrou aumento de 300% na demanda de passageiros da linha que atende o bairro do Cocotá, na Ilha do Governador, na comparação com a média das quintas-feiras de maio do ano passado. Até às 10h desta quinta-feira (8), foram transportados, aproximadamente, 3,6 mil passageiros no trajeto Cocotá-Praça XV. Durante o rush da manhã, a concessionária reforçou o efetivo e foram necessárias três viagens extras às 6h40, 7h30 e 9h05 para atender à grande demanda pelo transporte aquaviário na Ilha do Governador.
Mesmo com o reforço na operação do Cocotá, a programação seguiu normalmente nas outras linhas pela manhã. O trajeto Charitas-Praça XV também registrou aumento na demanda. Até às 10h, aproximadamente 4,3 mil usuários fizeram a travessia, número 10% maior que a média das quintas-feiras de maio do ano passado. Na ligação Praça Arariboia-Praça XV, a CCR Barcas transportou, até às 10h, 27,7 mil passageiros, mantendo a média de usuários.
De acordo com a Polícia Militar (PM), o Comando do Batalhão de Policiamento em Vias Especiais (BPVE) informou que houve uma manifestação de rodoviários do Rio, no início da manhã, na altura da Vila do João, em Manguinhos, onde cerca de 100 pessoas tentaram fechar a pista da Avenida Brasil, no sentido centro. Policiais militares estão no local, negociando com os grevistas para manter as pistas liberadas.
A PM acionou um plano de operação especial para a greve dos rodoviários. Viaturas estão próximas às empresas de ônibus, monitorando o trânsito. Policiais estão posicionados ao longo das passarelas da Avenida Brasil, monitorando o trânsito e também há patrulhas em pontos estratégicos para evitar que as pistas sejam fechadas por piquetes de grevistas.
Rio amanhece sem ônibus devido à paralisação dos rodoviários
Cidade do Rio amanhece praticamente sem ônibus. Na Central do Brasil, a movimentação de passageiros é intensaTomaz Silva/Agência Brasil
A Cidade do Rio de Rio de Janeiro amanheceu hoje (8) praticamente sem ônibus urbanos, pegando a população de surpresa, isso porque um grupo dissidente do Sindicato dos Rodoviários do município do Rio decidiu pela paralisação de 24 horas, após realizar uma passeata na noite de ontem (7) e uma assembleia rápida em frente ao Centro Administrativo da prefeitura do Rio, na Cidade Nova, que decidiu pela greve por volta das 20h.
O marceneiro Elias Santos, de 57 anos, foi pego de surpresa. Ele esperava um ônibus no terminal da Avenida Chile, no centro, para ir até Vargem Grande, na zona oeste, no outro extremo da cidade. "Eu saí de casa para vir trabalhar e estou agora dependendo de ônibus para chegar no trabalho. Eu já liguei para o patrão e avisei que vou chegar tarde", disse.
Outro passageiro, Jorge Ramos, de 59 anos, é aposentado e iria para Vargem Pequena, na zona oeste. Ele passou a noite na Igreja de Santana, no centro, onde participa de um projeto social. "Eu vim ontem para o centro e se soubesse que teria greve eu não sairia de casa. Agora, sem ônibus, como vou fazer para chegar em casa?" indagou.
Um acordo fechado entre o sindicato dos trabalhadores e o sindicato patronal - Rio Ônibus, concedeu reajuste salarial de 10% e aumento na cesta básica, passando de R$ 120 para R$ 150 com desconto de R$ 10. De acordo com um dos representantes da comissão insatisfeita com o acordo fechado, Hélio Teodoro, a classe espera uma negociação justa. A comissão reinvidica um reajuste salarial de 40% e cesta básica no valor de R$ 400, além do término da dupla função - quando o motorista também é cobrador.“Estamos abertos para negociar, mas os 10% que foram dados, nós não vamos aceitar. Vamos continuar batendo na mesma tecla até nos receberem”, disse.
Durante toda a madrugada, representantes da comissão dissidente montaram piquetes em todas as garagens das 44 empresas de ônibus que circulam pela capital fluminense, informando sobre a paralisação.
O Sindicato dos Motoristas e Cobradores de ônibus do Rio de Janeiro (Sintraturb-Rio) informou, em nota, que o reajuste acordado com a Rio Ônibus foi estudado com base na comparação de negociações de outros estados e a proposta colocada em assembleia foi "aprovada por ampla maioria”. O presidente do sindicato, José Carlos Sacramento se manifestou contra o movimento dissidente, que qualificou como "político".
Ontem (7) a categoria recebeu o pagamento já com o aumento retroativo a 1º de abril. Na última sexta-feira (2), a Rio Ônibus informou, em nota, que o reajuste é o maior concedido em todo o país, “o que contribui para melhorar as condições de trabalho dos 40 mil profissionais beneficiados com o acordo. Com a antecipação do reajuste, o aumento real será de 11,6% para a classe dos rodoviários”.
Centenas de crianças também estão sendo dispensadas das escolas devido à falta de professores, que não tem como chegar ao trabalho por falta de transporte público. É o que acontece, por exemplo, na Escola Municipal Celestino da Silva, na Rua do Lavradio, na Lapa. Alunos de várias séries voltaram para casa, porque não havia professor em sala de aula.
