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A rotina dos lenhadores de Paranavaí

Acordar às 3h para o trabalho; quando ouviam a buzina do caminhão em frente de casa, moradores da Vila de Paranavaí, Noroeste do Paraná, Máecio, Egon, Zé e Péu subiam na cabine carregando mochilas, marmitas e garrafas térmicas com água; o serviço quase sempre começava às 4h15, quando a escuridão impedia que enxergassem as árvores que eram pagos para derrubar e transportar; pisadas em cobras, quedas em buracos de tatus e ataques de marimbondos mamangava-de-toco, uma das espécies mais perigosas, acontecem mais cedo ou mais tarde; comida fica por conta própria dos trabalhadores; realidade cruel

Acordar às 3h para o trabalho; quando ouviam a buzina do caminhão em frente de casa, moradores da Vila de Paranavaí, Noroeste do Paraná, Máecio, Egon, Zé e Péu subiam na cabine carregando mochilas, marmitas e garrafas térmicas com água; o serviço quase sempre começava às 4h15, quando a escuridão impedia que enxergassem as árvores que eram pagos para derrubar e transportar; pisadas em cobras, quedas em buracos de tatus e ataques de marimbondos mamangava-de-toco, uma das espécies mais perigosas, acontecem mais cedo ou mais tarde; comida fica por conta própria dos trabalhadores; realidade cruel (Foto: Leonardo Lucena)

Parana 247 – Acordar às 3h para o trabalho. Quando ouviam a buzina do caminhão em frente de casa, moradores da Vila de Paranavaí, Noroeste do Paraná, Máecio, Egon, Zé e Péu subiam na cabine carregando mochilas, marmitas e garrafas térmicas com água. A labuta quase sempre começava às 4h15, quando a escuridão impedia que enxergassem as árvores que eram pagos para derrubar e transportar.

Todo o cuidado é pouco. Pisadas em cobras, quedas em buracos de tatus e ataques de marimbondos mamangava-de-toco, uma das espécies mais perigosas, acontecem mais cedo ou mais tarde. A atividade possui um alto índice de desistência. Além de força, é preciso desenvolver técnicas de corte e saber controlar a exaustão.

"Quando vai descarregar pau pesado, você tem que abraçar ele, 'macaquear' pra cima e jogar certinho lá embaixo. Pra ficar bom mesmo leva anos. O cara tem que aprender a suportar o calor, lidar com câimbras e beber muita água pra evitar a desidratação", recomenda Péu.

Alguns lenhadores mais experientes passam o dia em jejum para acelerar o serviço e economizar, pois as refeições no campo são de responsabilidade dos trabalhadores. "Você consegue ganhar cem reais num dia, mas as roupas, algumas ferramentas e a comida são por sua conta. Se pensar bem, o seu lucro não passa de R$ 50", disse Márcio Alexandre Santos, de 23 anos, que ingressou no ramo aos 12.

Para receber o valor integral da diária, três lenhadores precisam carregar 23 toneladas de lenha, ou seja, 7,6 mil quilos por pessoa. Uma peça de eucalipto com apenas 1,50 m chega a pesar até 80 quilos. "A gente se esforça pra sair da roça antes do meio-dia porque esse horário é terrível. O calor vem com tudo e você começa a sentir muita dor", afirmou Péu.

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